Uma das coisas que mais agrada ver nas apresentações dos grupos de bumba meu boi do sotaque da Baixada são os cazumbas (e que muitas pessoas chamam cazumbás). O cazumba é um personagem híbrido desta manifestação folclórica, que está entre o animal e o humano. Um ser mascarado que dá margem a diversas interpretações, sendo visto como um bicho da mata, um animal da fazenda, espírito protetor da floresta ou mesmo preto-velho.
Os cazumbas andam sempre em bandos, carregam um chocalho e usam batas que cobrem o corpo inteiro, não deixando exposta nenhuma parte do corpo do brincante, o que faz aumentar o suspense em relação à personagem. A bata traz motivos diversos bordados ou pintados. As imagens coloridas podem ser de santos, estrelas, flores, entre outros elementos. Por baixo da vestimenta, usam cofo que fica preso na região das nádegas. Também podem tcarregar bonecas, chicotes, facas de madeira e brinquedos na mão, dando um tom assustador e/ou cômico à personagem, semelhante ao fofão do Carnaval. Para usar a farda de Cazumba não tem gênero nem idade.
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Sem dúvida o que mais chama atenção nesses brincantes são as suas máscaras, chamadas de “caretas”. Elas têm formatos variados, havendo dois tipos mais regulares: as menores, feitas em madeira ou pano, e as maiores, chamadas de “torre” ou “igreja”, podendo ser confeccionadas de isopor ou armações de ferro, chegando a medir 1 metro de cumprimento. As caretas podem representar um ser animalesco ou um animal propriamente dito.
Caretas - É comum um mesmo cazumba usar caretas diferentes conforme o contexto ritual do qual participa. Por exemplo, na ocasião da “morte do boi”, festa feita na comunidade, os brincantes costumam utilizar uma careta menor para poder brincar com mais facilidade, já que ali os aspectos cômicos do personagem são mais valorizados. O mesmo acontece quando brincam em algum “boi de promessa”, uma vez que, nessas situações, o cazumba interage mais com o público.
Contudo, nas apresentações em arraias das cidades, onde predomina o aspecto visual sobre a comicidade, os brincantes optam por usar as caretas mais altas, no estilo “igreja”, bastante ornamentadas. Quando veste apenas a bata, sem a máscara, representa o Pai Francisco que vai fazer a morte do boi. Vele lembrar que em certas cidades da Baixada Maranhense, região onde se originou esse personagem e o sotaque de boi a qual pertence, há grandes disputas de caretas.
Nessas localidades, a qualidade de um cazumba é mensurada, principalmente, pelo contentamento das pessoas e de outros cazumbas em relação à beleza da careta. Seus principais objetivos são: destacar-se por sua exuberância entre os demais e provocar o riso e o susto. Ao mesmo tempo em que ajuda a matar o “boi”, quando o animal está preso no mourão para ser morto, ele o solta dali, causando desordem e comprometendo a seriedade do momento.
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Algumas pessoas confeccionam caretas e as vendem em mercados da cidade. No Mercado Central, por exemplo, existem alguns senhores que comercializam a indumentária.
Com informações do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


