Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil (Cintra)

Fábrica Rio Anil antes de ser restaurada / Foto: Fabrício Pedroza

São Luís já foi um polo industrial têxtil. No final do século XIX, pelo menos dez fábricas de tecidos e fiação se instalaram na cidade, anunciando o progresso e mudança da vida social da região. A antiga Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil (Rua da Companhia, 1, Anil), construída em 30 de junho de 1893, por exemplo, foi responsável por mudar o modo de vida do bairro do Anil. Pertenceu a seis empresários de São Luís: Antônio Cardoso Pereira, Francisco Xavier de Carvalho, Manuel José Francisco Jorge, José Francisco de Viveiros, Jerônimo Tavares Sobrinho e o Cônsul da Grã-Bretanha no Maranhão, o escocês Henry Airlie, idealizador da Companhia.

Antiga Fábrica Santa Amélia abrigará campus da UFMA.

Fábrica em 1908 / Foto: Gaudêncio Cunha

Ocupou uma área de 9.991m², sendo edificada em pedra, cal e alvenaria de tijolo. E como era comum acontecer nos entorno das fábricas, uma vila operária prosperou na região e com isso diversos serviços foram sendo instalados nas proximidades do pátio fabril. A vila operária foi construída pelos empresários da fábrica com intuito de assegurar a assiduidade dos empregados, que chegou a 100 em época áurea.

Dada a importância do bairro na época, a Companhia Ferro-Carril do Maranhão construiu dez quilômetros de trilhos até o Anil, por onde circulariam bondes animálicos, que mais tarde tornou-se um dos principais trechos da malha ferroviária da cidade. Isso propiciou também o deslocamento dos operários que seguiam para o trabalho logo ao soar do apito da fábrica e também o escoamento da produção fabril que teve como apogeu a década de 1930, quando atingiu o ponto mais alto da produtividade (1 milhão metros/ano).

Antiga Fábrica Cânhamo abriga hoje centro de artesanato.

Teares e rolos de fios da fábrica / Foto: Gaudêncio Cunha

Desenvolvimento – Entre as décadas de 1940 e 1950, o Anil desenvolveu-se grandemente, passando a ter uma boa estrutura social e de lazer, como educandários, colégios, igrejas, além de mercado público, onde funcionou mais tarde a superintendência do Anil e hoje abriga o Posto Médico, e várias lojas de tecidos. Para o lazer, dois cinemas, o Rivoli e o Anil, do campo do Botafogo, pertencente à fábrica, os banhos no Rio Anil (quando ainda era propício a tal atividade) e os famosos bailes populares.

Conheça a história dos antigos cinemas de São Luís.

Na fábrica, acidente tinha quase todo dia. “As linhas se soltavam e os teares voavam. Em 1959, a tubulação de uma caldeira explodiu e matou três funcionários. Outra vez, o fundo de um barril de ácido sulfúrico se rompeu, queimando os três carregadores que o transportavam. Eles foram enrolados em folhas de bananeira e levados ao hospital”, relatou João Pereira Carramilo, ex-funcionário da fábrica, à jornalista Yane Botelho.

Ladrilhos preservados na fábrica / Foto: Fabrício Pedroza

Recuperação – Como boa parte das fábricas da época, a Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil não resistiu aos entraves e pediu falência em 1961. Abandonada por muito tempo, foi somente um século depois do lançamento de sua pedra fundamental que o local foi recuperado e deu espaço ao Centro Integrado Rio Anil (Cintra), com projeto do arquiteto Fabrício Pedroza. Adotou-se para o novo Centro a mesma cor azul da antiga Fábrica, segundo a lembrança dos velhos moradores do bairro.

O prédio tem cobertura composta por uma estrutura forjada na Inglaterra e telhas francesas. A fachada principal apresenta 14 módulos, com cobertura em duas águas, formando pequenos frontões com óculos centralizados. O interior foi reestruturado em dois pavimentos de salas de aula e administrativo com circulação em forma de mezaninos e largas escadas em madeira, com alguns pilares em troncos retorcidos. Antes imensas salas abrigavam os teares.

O desafio era compartimentar essas grandes áreas sem deixá-las escuras. Para isso aproveitaram-se as grandes janelas de guilhotinas em madeira e vidro que rasgam toda a extensão da antiga fábrica, além de telhas de vidro localizadas estrategicamente nas circulações internas que garantiram a ventilação e iluminação. Em alguns pontos há jardins de inverno, iluminados por abertura no telhado, sem nenhum prejuízo às formas originais. Ainda é possível encontrar corredores revestidos com ladrilhos hidráulicos e alvenaria em pedra aparente que destaca a qualidade da mão de obra da construção civil do século XIX no Brasil.

Fachada da atual escola na época da reinauguração

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