Cafua das Mercês – Museu do Negro

Foi-se o tempo em que os museus eram vistos apenas como meros depósitos de quinquilharias e coisas velhas. Hoje, estes espaços são verdadeiros guardiões da história de um povo e atraem diariamente centenas de pessoas para visitação.

Em São Luís, um desses espaços é a Cafua das Mercês ou Museu do Negro, que abriga atualmente o centro de preservação da memória do negro. A casa dispõe de um acervo que conta um pouco da história da vida árdua imposta aos escravos que viveram em nossa cidade nos fins do século XVIII.

Entre a variedade de peças expostas no museu, destacam-se os objetos de culto utilizados em cerimônias religiosas como estatuetas, cabaças, cachimbos e parelhas do tambor de mina. Também são preservados instrumentos de suplício que fazem lembrar o sofrimento por qual passavam os negros vindos da África aportados no Maranhão – a citar o vira-mundo, pedaço de madeira retangular, aberto em duas metades, com buracos, onde se colocavam os pulsos e tornozelos dos escravos e que se fechava com um grande parafuso ou cadeados dispostos em uma das extremidades. Palmatórias, utilizadas como método pedagógico e de tortura, gargalheiras de ferro e adornos diversos também integram o acervo permanente do museu.

Visite Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.

No pátio interno da Cafua, revestido de cantaria e cercado por um alto muro de pedra, existem um par de pedras de mó (parte do moinho responsável pela trituração de grãos) e uma réplica do Pelourinho que ficava localizado em frente à Igreja do Carmo, construída por ocasião da fundação do museu, cujo original foi destruído quando da Libertação dos Escravos, ocorrida em maio de 1888.

Conheça mais sobre a Igreja do Carmo, na Praça João Lisboa.

No pavimento superior, hoje, uma exposição de máscaras, estatuetas e indumentárias africanas compradas recentemente pelo Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM) completam a coleção da casa de cultura. São mais de 20 peças de grupos Baule, Melinke, Dogon, Punu e Senufo, entre outros, talhadas em madeira ou feitas a partir de contas e fibras vegetais.

Para a chefe da Divisão de Museologia do Estado, Concita Monteiro, a Cafua das Mercês não é somente um espaço de preservação da cultura local, mas principalmente de comunicação desta memória, a ponto de o visitante se identificar com o museu. “Ao entrar nestes ambientes nos tornamos sujeitos da história, pois este é um lugar de transformação da sociedade”, afirmou. Segundo a historiadora, diferente dos turistas, o maranhense infelizmente ainda não foi despertado para a visitação de espaços museológicos.

Casarão era ponto para a venda de escravos

Localizado na Rua Jacinto Maia, num bairro outrora de tradição comercial, o pequeno sobrado da Cafua das Marcês – palavra originada do dialeto banto, e que significa cova, caverna, lugar escuro e isolado – foi testemunha do sofrimento vivido pelos escravos, em sua maioria, descendentes africanos. De fachada uniforme e dois pavimentos no estilo colonial, mantendo características arquitetônicas originais, na Cafua não existiam janelas, apenas seteiras únicas aberturas para a entrada de luz e para a ventilação, o que demonstrava as condições opressoras e indignas de como viviam os negros em tempos do Império.

Conheça também o Museu Histórico e Artístico do Maranhão.

Ali funcionou o mercado de escravos de São Luís, uma verdadeira praça de leilões de negros. Eles desembarcavam no Portinho e seguiam para o sobrado onde ficavam amontoados em pequenos quartos para depois serem expostos com uma placa pendurada no pescoço indicando o seu preço, à espera de um comprador. A Cafua foi adquirida pelo Governo Estadual em 1970, restaurada e aberta às visitações dois anos mais tarde, quando foi inaugurado o Museu do Negro, em 5 de fevereiro.

Visite:
Cafua das Mercês – Museu do Negro
Onde: Rua Jacinto Maia, 54, Praia Grande, ao lado do Convento das Mercês
Visitação: Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Entrada franca

Foto: Governo do Estado
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4 comentários sobre “Cafua das Mercês – Museu do Negro

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