Bondes de São Luís

Terminal da linha de bondes na Praça João Lisboa.

Muitas pessoas já devem ter reparado que entre o asfalto de algumas ruas do Centro de São Luís aparecem antigos trilhos, últimas lembranças dos bondes que circularam pela capital. Como já era de se esperar, a primeira iniciativa de trazer melhorias em serviços de transporte urbano para a capital não partiu do governo e sim da ação da iniciativa privada. Lusitanos que residiam aqui tentaram estabelecer companhias de linhas de bonde que fizesse o transporte de passageiros e cargas em vários pontos da cidade, mas que, por diversos motivos, não saíram do papel.

Veja um registro histórico dos bondes em São Luís.

Somente em 1º de agosto de 1871, quando a Companhia Ferro-Carril, que já funcionava no Rio de Janeiro, instalou-se em São Luís, com autorização da Assembléia Provincial, deu início a primeira linha de bondes animálicos, que partiam do Largo do Palácio ao Cutim, passando pela Rua da Estrela, pela Estação, por Remédios e pelo lugar chamado Francisco Abrantes. Contudo, depois de algum tempo, os serviços prestados pela empresa começou a deixar a população insatisfeita, especialmente no tocante à pontualidade e à regularidade dos veículos – situação bem semelhante da que vivemos hoje.

Conheça a história do primeiro automóvel de São Luís.

O Governo do Estado, para evitar maiores problemas, injeta recursos públicos para que a empresa, agora Ferro-Carril Maranhense, construísse uma linha férrea com uma locomotiva a vapor para transportar a população até o Anil. É, então, que em 22 de janeiro de 1893, inaugura-se a Estação do Anil, apelidada pelo povo de maxabomba, facilitando a vida dos trabalhadores das quatro fábricas instaladas naquele bairro que moravam à margem da linha.

Durante esse tempo, os bondes animálicos continuaram os serviços fazendo as linhas Largo do Palácio – Estação Central – Largo do Palácio, Largo do Palácio – Remédios – Largo do Palácio, Largo do Palácio – São Pantaleão – Largo do Palácio.

Rua do Egito (Praça João Lisboa)

Bondes elétricos – Esses só chegam à cidade depois da virada do século, quando também se pensava um projeto de dotar a cidade de eletricidade. Em1909, a Câmera Municipal autoriza o estabelecimento desses novos bondes, mas somente em 1918 (quanta demora, meu povo!), a empresa L. Grifith Williams, representante da South American and General Sindicate Ltda, de Londres, foi contratada para fornecer energia à São Luís. Todavia, a empresa não cumpriu com sua parte do contrato e deixou os ludovicenses a mercê do precário transporte animálico.

Conheça a Praça João Lisboa.

Somente em 30 de novembro de1924, acapital maranhense passa a ser servida pela linha de bondes elétricos, graças à empresa americana Ulen Company, beneficiada pelo Governo com vantagens fiscais e financeiras. O fato foi motivo de muitas discussões. Os bondes, mesmo inaugurados seis meses antes do previsto, também era motivo de reclamações, já que a linha tinha apenas 252 lugares para uma cidade que na época tinha 60 mil habitantes, o que levou o Governo do Maranhão a romper contrato com a Ulen.

Av. Beira-Mar

Mas o rompimento não durou muito. Logo se viu estourar um luta diplomática entre governo brasileiro e americano. Pressionado, o presidente Getúlio Vargas revogou em 10 de fevereiro de 1931 o ato que rompia o contrato com a empresa, contrato esse que prevaleceu até meados da década de 1940. O rompimento definitivo se dá em 15 de junho de 1946, após decreto do então presidente Eurico Dutra, dando por encerradas as deficitárias operações da Ulen.

Em 1947 é criado o SAELTPA (Serviços de Água, Esgoto, Luz, Tração e Prensa de Algodão), que manteve os bondes elétricos até final da década de 1950. Deste órgão surgiu o Departamento de Transporte de São Luís (1959), que assumiu os serviços de tração da cidade e comprou, em seguida, uma frota de ônibus, que posteriormente foi passada para a administração municipal.

Os bondes elétricos de São Luís voltariam à ordem do dia ainda na década de 1960, após a eleição de José Sarney para governador. Ele priorizou para São Luís melhorias nos serviços de infraestrutura trazendo do Rio de Janeiro a empresa Fontec, que organizou com sucesso o trânsito desta cidade. A Fontec declarou que os bondes causavam transtornos no tráfego que chegavam a ficar 5 horas diárias parados.

Trilhos no Campo de Ourique, hoje Praça Deodoro

A empresa também proibiu a circulação de bondes de contramão nas avenidas João Pessoa e Getúlio Vargas e nas Ruas Rio Branco e Osvaldo Cruz. Logo foram desativadas todas as linhas da cidade. O último bonde circulou em São Luís em 1966, servindo o bairro do São Pantaleão, em plena comemoração das festas natalinas.

Anos mais tardes, a autoridades defenderam a tese de que não foi um bom negócio a retira dos bondes elétricos do cenário urbano, que poderiam servir especialmente a população do Centro Histórico, sobretudo os turistas que visitassem a cidade.

Com informações do professor Benedito Buzar.
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15 comentários sobre “Bondes de São Luís

  1. Quanta saudade! Cheguei em São Luis aos seis anos de idade, vindo de Anajatuba e tive oportunidade de usar o transporte(bonde), sou favorável que vote a circular no centro de São Luis.

  2. O Bonde!!! fez parte da minha Infancia e era o meu maior divertimento circular tantas vezes,fim que nao chegava o sono.Sendo habitante naquela época a Rua Coelho Neto,pegava o bonde no ponto final;ou seja:na Praça Gonçalves(em frente a Igreja dos Remedios) mi divertia quando os Motorneiros deviam virar a lança.Partindo direçao,praça Deodoro,descendo Rua da Paz,seguindo Rua Grande até o Canto da Viraçao,descia e pegava outro que seguia outra direçao…. Seria a pessos mais Feliz do mundo se os nossos bondes retornassem a circular,mesmo que seja em um circolo menor.Penso que,seria a oportunidade de nossos Filhos e Netos conhecerem uma vida de laser,o bonde por ser aberto é muito ventilado e nao causa inquinamento.Para os Turistas seria uma Grande e Maravilhosa Atraçao.Obrigada pela oportunidade,em fazer esta Retrospectiva.

    1. Maria Isabel, você deve ter presenciado momentos incríveis! Sou arquiteta e sempre que observo uma edificação ou fotos antigas imagino pessoas andando com roupas de época, cordiais, educadas, que sabiam apreciar uma conversa tranquila, sem pressa, onde a poesia estava em todas as esquinas. Esse tempo se foi e o pouco que resta, tristemente, está ruindo. Poucas pessoas conseguem perceber o real valor de nosso Patrimônio. Estou em busca de fotos antigas da rua Rio Branco onde podemos visualizar o bangalô que fica na esquina da Rua Rio Branco com a Rua Jansen Müller. Estou fazendo uma pesquisa para um possível restauro dessa edificação e fotos de referência seriam de extrema importância. O prédio é tombado e talvez esteja um pouco descaracterizado com alguma intervenção, mas só poderei ter certeza se encontrar fotos antigas. Você poderia me ajudar? Agradeceria muito!

  3. Ok, é porque eu tou fazendo um trabalho escolar sobre o tranposrte da antiga São Luís, e só falta a história da locomotiva benedito leite. O trabalho é para terça, se voce poder posta até a segunda, ficarei agradecido.
    Parabéns pelo seu blog.

  4. Os bondes tem que voltar a circular só naquela area do reviver. Atraíria mais turistas para nossa cidade. Seria otimo um turista chegar aqui no Centro Histórico de São Luis e poder passear pelos principais pontos turisticos de bonde. Mas hoje os politicos só querem ficar ricos .
    ————————————-
    Alguem sabe dizer a história da locomotiva Benedito Leite que ta estacionada ao lado do plantao central (antigo RFFSA) na beira-mar????

  5. PQ TIRARAM OS MEIOS DE TRANSPORTES Q TODA A POPULAÇÃO FICAVA SATISFEITA?N TINHA TANTA DIFICULDADE,OS BONDES SÃO A SALVAÇÃO PARA O TRANSPORTE EM SÃO LUÍS,JÁ QUE OS PREFEITOS SÃO LADRÕES Q NÃO LIGAM PARA AS PESSOAS.

  6. Foi muito bom, depois alguns anos rever essas fotos de minha terra, São Luis, os bondes que iam do anil, onde eu morava até a praça João lisboa
    com aquele abrigo onde se tomava um cafézinho pingado no leite, é muito legal e muito bem lembrado não ahavia assaltos, houvesse algum crime, tinha alí Benedito da Costa Penha que impurrava o sarrafo no marginal quew apanhava igual a galinha pra largar o xôco, e não tinha direitos humanos para bandidos.

  7. Rose Baptista 15/12/2011

    O bonde era muito legal.

    Não fazia calor, não faltava troco,não causava poluição, não
    tinha assalto, não provocava engarrafamento.
    Existe meio de transporte melhor? Por que não volta?

    AUTORIDADES: pensem nisso.

  8. Os bondes precisam voltar a circular em São Luís, pois são seguros, ecológicos, sustentáveis, agradáveis e turísticos.
    Os caminhos estão livres, a estação e os trilhos continuam no lugar e o povo precisa de um transporte popular em locais muito mal servido pelos ônibus, que é o caminho do Anil, o centro da cidade, a beiramar e o Reviver.

  9. Até hj acho que deveriam voltar a circular. Se realmente houvesse uma preocupação, se faria vários estacionamentos ao redor do centro onde fosse obrigado a se deixar e pelo centro da cidade circularia somente os bondes e pedestres. E claro, os poucos moradores do centro.

    Por curiosidade, onde fica – ou ficava – o bairro São Pantaleão?

    1. A rua e a Igreja de São Pantaleão ficam ao lado do Hospital Infantil Juvencio Mattos, antes da Maternindade Benedito Leite (Cajazeiras). Começa nas proximidades da rua de Santana e segue até a Madre Deus.

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