Boi Sotaque de Costa de mão (Cururupu)

Brincantes de boi sotaque costa-de-mão / Foto: Douglas Júnior

Entre tantos ritmos e sotaques de bumba meu boi do Maranhão, um se destaque pela originalidade e pela exótica maneira de tocar seus pandeirões. Trata-se do sotaque de costa de mão, originário do município de Cururupu, no litoral norte maranhense. Pouco difundido fora de sua região de origem, merece atenção por suas particularidades, em especial pela beleza da indumentária e das melodias.

Conheça mais da história do auto do bumba meu boi

O sotaque de Cururupu (costa de mão) tem uma história no mínimo curiosa. De acordo com seu Eliésio, do Boi Brilha da Sociedade, um dos grupos em atividades, a origem deste sotaque está ligada à vida dos negros que eram castigados pelos seus senhores. “Eles levavam bolachadas na palma das mãos. Às vezes palmatórias ou outros instrumentos de tortura eram utilizados como método pedagógico”, conta.

Mesmo com as mãos feridas os negros não deixavam de festejar a São João e para não perderem a festa tocavam os pandeiros com as costas das mãos. Além dos pandeiros, entre os instrumentos tocados pelos brincantes estão os maracás de metal e tambores-onça.

Ocasionalmente, outros instrumentos podem ser incorporados, como o surdo ou zabumba, para auxiliar a marcação, ou um pandeiro comum, de samba, quando não se dispõe do outro. Os pandeiros, que geralmente têm entre 30 e40 centímetros de diâmetro e entre 8 e 12 centímetros de altura, são pendurados com uma correia em torno do pescoço e batidos com a costa de uma das mãos, enquanto a outra apóia o instrumento.

O couro do boi, de início, era feito de um tecido grosso chamado azulão, sobre o qual se colavam enfeites de papel com cola de tapioca. Mais tarde veio o cetim e, finalmente, o veludo, bordado com paetês e lantejoulas e, depois, canutilhos.

Conheça também o sotaque de Zabumba

Indumentária – A indumentária do boi também merece destaque. Camisas de manga comprida, bermudas de veludo que vão até a altura dos joelhos, bordadas com canutilhos e paetês, chapéus em forma de funil, também decorados com longas fitas coloridas, chegando, alguns, a ostentar 300 fitas. Os vaqueiros também utilizam sapatos e meias estendidas até os joelhos. “Cada uma dessas roupas custa aproximadamente R$ 1.000,00. Para nós é um custo muito grande e às vezes temos dificuldades para manter a brincadeira. Mas fazemos o máximo para que tudo saia bonito”, revelou seu Eliésio.

Atualmente, estão em atividades os grupos Rama Santa, Brilho da Sociedade (Fortaleza), Soledade, Brilho da Areia Branca, estes em Cururupu. Também há, segundo a Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão, dois grupos em São Luís, o Boi da Vila Conceição e outro do bairro Tajipuru, que não souberam informar o nome.

Para complementar o que eu digo, melhor assistir ao vídeo “Na costa da minha mão”, de Andréa Barros, no qual pude colaborar na produção. O vídeo foi vencedor do Rumos Cultural, e de quatro prêmios do Festival Guarnicê de Cinema, entre eles na categoria de Melhor curta-metragem.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s