São Luís pelo Twitter

Eduardo Fenianos conta história pelo Twitter

Por Raíza Carvalho

Percorrer todos os estados do país com o desafio de dormir cada dia em uma casa diferente e sobreviver com apenas um salário mínimo por mês. Esta é a descrição da jornada enfrentada pelo jornalista Eduardo Fenianos durante os 185 dias percorridos pelas capitais brasileiras durante os anos de 2008 e 2009.

A partir desta experiência, Fenianos construiu uma novela no twitter, numa sequência de cinco tuites diários descrevendo situações, locais e pessoas como se estivesse no momento da viagem. Quem segue o usuário @urbenauta tem também acesso a recursos como fotografias e vídeos de uma visão mais humana e realista do Brasil. Até o dia 26 de setembro, o desbravador relatou seus dias em São Luís do Maranhão.

No dia 21 de setembro, o jornalista descreveu sua chegada à capital maranhense. Nos tuites em que relatou a experiência de uma semana na capital, ele declarou suas impressões sobre a cultura e as pessoas de São Luís, assim como sua ida aos quatro extremos da cidade, conhecendo um lado que a maioria desconhece.

“Há um lado industrializado, a riqueza da mineração ao oeste. No extremo norte da Ilha, há a praia do Olho D’agua quase na divisa entre São Luís e São José de Ribamar. É uma praia de areia dura, onde os carros podem transitar. No extremo sul, vemos uma praia diferente com a presença do pescador tradicional no Estreito dos Mosquitos. Ao leste, o crescimento do município, resultando quase em uma comutação entre São Luís e São José de Ribamar”, explicou Fenianos.

Peculiaridades – Entre os aspectos da capital maranhense destacados pelo jornalista, está a extensa população negra presente no Maranhão. “O negro maranhense é diferente do negro baiano. Em Salvador, está muito presente a questão do preconceito contra o branco e mesmo contra o negro. O negro ludovicense é mais livre. Isso é observável nas manifestações artísticas maranhenses. Não houve uma completa mercantilização da cultura popular como em Salvador. Ainda há grupos dançando e tocando por prazer, como as rodas de tambor de crioula”.

Para o jornalista, São Luís preserva a poesia da vida. “Em nenhuma outra cidade do Brasil, as pessoas utilizam os bancos de praça como os ludovicenses. Vi poucas brigas de trânsito. Achei um povo de um jeito calmo, educado e carinhoso”, declara ele. Outra coisa que lhe chamou a atenção foi o jeito de dançar reggae do maranhense. “Os maranhenses foram muito bem sucedidos ao misturar o jeito de dançar forró do brasileiro com o reggae jamaicano”, elogia.

Segundo Fenianos, o objetivo da aventura é apresentar o Brasil para os brasileiros. “Quis conhecer todas as capitais brasileiras, visitando seus extremos e o marco zero, abordando características humanas, geográficas e culturais de cada local. A finalidade é que as pessoas conheçam de verdade o lugar onde vivem. Conhecer e assim cuidar”, explica Fenianos.

Nordestino – Após a expedição do Urbenauta pelo Nordeste, Fenianos observou uma quebra ainda maior no estereótipo do que seria o nordestino para a maior parte dos brasileiros. “Nunca mais utilizo a expressão povo nordestino. São pessoas diferentes, influenciadas por culturas totalmente diferentes. Seria o mesmo absurdo que falar povo sudestino”, declara ele.

A proposta do jornalista é lançar um livro sobre as cidades brasileiras mostrando uma perspectiva humana e intimista. O livro, cujo nome ainda não foi divulgado, tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2012. Fenianos prentende ainda proferir a palestra “Como usar a cidade como sala de aula” em todas as cidades por onde passou.

Sobre a idéia de relatar a viagem no twitter, Eduardo explica: “Escrever é um ato muito solitário. No twitter, eu escuto a população. As pessoas comentam o assunto, me ajudam a lembrar dos detalhes, e o livro acaba se tornando uma escrita coletiva”. No início de 2010, foi lançado um livro de fotografias da série “Expedições Urbenauta Brasil”. Feninanos considera importante ressaltar que o projeto não possui patrocínio de nenhum governo, garantindo-lhe a imparcialidade ao explorar os diferentes ângulos de cada local.

Mais
Outras informações e detalhes e formas de contribuir estão disponíveis no site
www.urbenauta.uol.com.br. Siga também o Twitter @urbenauta

Matéria publicada no Jornal O Estado do Maranhão, com informações adicionais. Foto: Divulgação
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