O Teatro Mágico faz show em São Luís

Trupe de O Teatro Mágico Foto: Pierre Yves Refalo

Quem estiver em São Luís hoje poderá conferir a trupe de O Teatro Mágico, que volta à cidade para apresentar o novo trabalho, A Sociedade do Espetáculo, em show durante o primeiro dia do II Mulambo Festival, a partir das 22h, no Let it Beer (Ponta d’Areia). O grupo paulista, que mistura acrobacias circenses, palhaços, música e teatro em um espetáculo lúdico cheio de papos politizados que vão do machismo à distribuição gratuita de músicas na internet, conquistou um público de idades e gostos musicais variados.

Com essa reunião de influências, O Teatro Mágico coleciona críticas positivas desde o primeiro álbum Entrada para raros, com sucessos, que apesar de não tocarem constantemente nas rádios, estão entre as mais baixadas na internet e as mais ouvidas no site da Trama, a exemplo de Ana e o Mar, Sintaxe à Vontade, O Anjo Mais Velho e Camarada d’água. E mesmo disponibilizando seus discos gratuitamente na internet, a trupe já vendeu mais de 300 mil cópias, o que garantiu a participação na novela Viver a Vida, da Rede Globo e em programas de auditório da mesma emissora.

Em entrevista ao Passeio Urbano, Fernando Anitelli, vocalista do grupo, falou um pouco sobre as novidades de mais recente álbum – lançado em setembro e que têm uma música composta em parceria com os fãs pelo Twitter -, da proposta de música livre defendida pela trupe, além de seus projetos solos e de alguns detalhes para o show na capital maranhense.

Em que o álbum A Sociedade do Espetáculo se diferencia dos outros trabalhos do grupo?

Fernando Anitelli – Eu sentia a necessidade de uma mudança não só na parte instrumental, mas também nas letras. Eu resolvi buscar palavras que eu nunca tinha usado, de uma forma que continuasse com a poesia, e novas temáticas. O álbum teve a produção de Daniel Santiago, que trabalhou com o grande bandolinista Hamilton de Holanda. Ele me ajudou no processo de organizar melhor as idéias, contribuindo para renovar o trabalho musicalmente, sugerindo novas sonoridades, ritmos… Nosso encontro foi muito importante!

Neste novo trabalho vocês continuam abordando temas sociais, fazendo crítica a algumas atitudes da sociedade?

Fernando Anitelli – Somos parte da sociedade e temos que abrir o olho para o que está acontecendo. Em Amanhã… será?, por exemplo, que compus com meu irmão Gustavo e com Daniel Santiago, colocamos uma referência às revoluções ao redor do mundo. Tentamos abordar esse assunto denso e pesado, dentro de uma estética pop. O clipe da música foi filmado numa pedreira e editado mesclando imagens da Al Jazeera dos conflitos árabes.

A internet sempre foi um veículo importante para a divulgação do trabalho do Teatro Mágico, desde a disponibilização gratuita das músicas até os vídeos. Qual a sua percepção das mídias sociais e da relação com os fãs a partir delas?

Fernando Anitelli – O uso da internet para divulgar o trabalho foi motivado pela minha decepção com as gravadoras. Sempre digo que sem a internet não existiria o projeto O Teatro Mágico como ele é hoje! Entendemos que essa proximidade com o público por intermédio das mídias sociais é vital para o nosso trabalho, e sei que o projeto não existiria sem isso. Por isso, sempre que o estado físico nos permite, eu e a trupe recebemos o público após os shows ou mesmo vamos até eles.

Um exemplo dessa interação com o público e as mídias sócias foi a canção O que se perde quando os olhos piscam. Como foi essa experiência?

Fernando Anitelli – Esta é a primeira música que fiz totalmente on-line pelo twitter. A letra de O que se perde quando os olhos piscam, que está no novo CD, foi criada coletivamente com twitteiras e twitteiros que enviavam sugestões. Depois gravamos a primeira versão com transmissão ao vivo pela internet com uma simples webcam, seguida pela gravação no estúdio da Trama e transmissão do show em que tocamos a música pela primeira vez, tudo ao vivo na rede. Em duas semanas a canção estava em terceiro lugar entre as mais tocadas no site da Trama. Tudo que fazemos de forma coletiva nos dá mais retorno.

Fernando Anitelli (à esquerda) capitaneia o trupe Foto: Pierre Yves Refalo

A carreira do Teatro Mágico foi pautada na produção independente e em busca da democratização da comunicação. O que seria essa música livre para você?

Fernando Anitelli – Nossa principal preocupação é manter a música livre, onde o público pode fazer downloads livremente, sem ser criminalizado por isso. Durante a vida inteira o ser humano compartilhou suas afetividades. Quem nunca trocou uma fita cassete escrito ‘lentas’? E isso nunca foi crime… Então, dizer que baixar música é crime, é bobagem! O público do TM baixa as músicas e depois quer o formato físico do CD, que tem um quê de exclusividade, os fãs gostam, tem um encarte bem trabalhado, as letras e todas as informações. A Sociedade do Espetáculo está saindo em CD e também numa versão CD+DVD, com imagens exclusivas das gravações. Temos que fortalecer mais as ferramentas interativas. Esse é o segredo. A arte será democratizada e terá mais vínculo com o público se for jogada aos quatro ventos, em todas as ondas e redes. Mas claro que temos um desafio de entender ainda todas as realidades dos artistas, para criarmos soluções que possam garantir o equilíbrio entre o acesso livre à arte e a remuneração justa do artista.

Nos últimos anos, o trabalho do TM ficou em evidência na mídia, chegando a vender 300 mil cópias. Vocês esperavam que a música do grupo ganhasse toda essa projeção e sucesso?

Fernando Anitelli – Desde o início, eu sabia que o projeto tinha força para crescer, amadurecer e se manter. Mas vendemos nossos discos principalmente nos shows e na lojinha em nosso site. Nossa aparição na mídia ainda é muito pequena, não tocamos em rádio nem aparecemos nos grandes programas da TV.

E o show tem alguma novidade, músicos novos, cenários, figurinos?

Fernando Anitelli – O show tem novos figurinos e novas performances e números de circo. Daniel Santiago está produzindo o show musicalmente e agora também faz parte do grupo, nas guitarras. Também fizemos novos arranjos para as músicas dos outros discos que estão no repertório do show.

No show de hoje, pretende mostrar um pouco do teu trabalho solo?

Fernando Anitelli – Ainda estou fazendo shows do meu primeiro CD solo, As Claves da Gaveta, que lancei no primeiro semestre deste ano. Quando tem uma brecha na agenda do TM, me apresento em trio, mostrando as músicas deste disco. Mas os dois são projetos bem diferentes, não misturo meu trabalho solo com o TM. Por enquanto, o foco é o lançamento de A Sociedade do Espetáculo e os shows desta turnê, que queremos levar para todo o país. Pretendo também lançar um disco infantil.

Serviço: Show de O Teatro Mágico, hoje, a partir das 22h, no Let it Beer (Ponta d’Areia), durante o II Mulambo Festival, com participação da banda Nova Bossa. Ingressos: R$ 40,00 (pista) e R$ 60,00 (camarote)

Entrevista publicada originalmente em O Estado do Maranhão, 21/10/2011
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