Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Igreja N. Sra. do Rosário dos Pretos / Foto: De Jesus

Por Jock Dean*

Fechada para reforma há mais de dois anos, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Rua do Egito, Centro, foi reaberta no dia 21 de dezembro, completamente restaurada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A igreja, a segunda mais antiga edificação religiosa de São Luís, começou a ser construída em 1612, ano da fundação da capital, que completará 400 anos em setembro de 2012. O culto dos escravos à santa foi introduzido pelos jesuítas no século XVII para legitimar a religião católica entre os africanos, considerados pagãos.

A devoção a Nossa Senhora do Rosário foi, no início do período colonial, muito popular entre todas as classes sociais, entretanto, por causa da segregação dos negros, estes acabaram criando irmandades próprias, separadas das irmandades de brancos, em que tinham maior liberdade de ação e por meio delas promoviam a alforria dos irmãos escravos e garantiam a sua sepultura em solo sagrado.

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O culto à santa foi introduzido na cultura dos escravos africanos pelos jesuítas, na catequese, para legitimar a religião católica, buscando homens e mulheres negros para a prática religiosa. “Esta tendência se consolidou nos séculos XVII e XVIII até que, chegado o século XIX, as Irmandades do Rosário, em sua maioria, eram formadas por negros”, informou Kátia Bogéa, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo a superintendente, no início do século XVIII, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário estava à procura de um terreno para fundar uma igreja em homenagem à sua padroeira. “Em maio de 1717, ela recebeu dos frades carmelitas a doação de um terreno que ficava no mesmo local onde havia sido construída, pelos frades franciscanos franceses, em 1612”, informou.

Igreja N. Sra. do Rosário dos Pretos / Foto: De Jesus

Os confrades da Irmandade, tendo à frente o negro João Luís da Fonseca, denominado Rei (espécie de presidente ou diretor), levaram aproximadamente 60 anos para construir sua Igreja, que foi vistoriada em 1772 e benzida em 1776, ocasião em que também foi trasladada a imagem da Virgem do Rosário da Igreja do Carmo para a nova Igreja.

No século XX, com a decadência das Irmandades religiosas em geral, a Igreja do Rosário entrou em processo de rápida deterioração. Diante desse fato, em 1947, o bispo D. Adalberto Sobral decide transferir para lá a Irmandade de São Benedito (que funcionava na Igreja de Santo Antônio), sob pretexto de que não ficava bem realizar em frente ao Seminário de Santo Antônio a grande festa que a Irmandade promovia todos os anos para o Santo.

“Desde então a Irmandade de São Benedito é a responsável por zelar e manter a integridade da memória histórica da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e continua realizando com grande devoção a festa de São Benedito, todos os anos, no mês de agosto”, afirmou a superintendente.

Restauração – A restauração mais recente foi motivada em 2004, quando o telhado da igreja corria risco de desabar. Diante da possibilidade da perda de uma das igrejas mais antigas de São Luís, o Iphan providenciou a elaboração do projeto de restauração, estabelecendo parceria com a Fundação Rio Bacanga para execução da obra, que foi realizada com recursos do instituto e da Lei de Incentivo à Cultura, por meio de patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Igreja N. Srs. do Rosário dos Pretos / Foto: De Jesus

O trabalho mais minucioso foi de restauração dos bens móveis, como as mobílias, as imagens sacras, pratarias, além do revestimento dos altares e as paredes laterais, que são cobertas por azulejos que formam belíssimos painéis, sobretudo por causa do valor histórico e cultural desses itens. A escolha sobre os elementos que seriam restaurados ou reconstituídos procurou respeitar o valor histórico e arquitetônico do monumento.

Durante a restauração redescobriu-se algumas das características originais da igreja, que é uma mescla dos diversos estilos arquitetônicos que se sucederam desde o século XVII, quando ela foi construída, até os dias atuais, por causa das diversas intervenções que o prédio sofreu ao longo de todos esses anos, que descaracterizaram as feições barrocas, estilo original do imóvel.

Construída por iniciativa da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com a ajuda de devotos de toda parte, a igreja foi restaurada pela primeira vez em 1772. Mais tarde seu altar-mor recebeu a imagem de sua santa padroeira. Ao longo dos últimos 250 anos, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos sofreu diversas alterações que modificaram a sua feição barroca original. As mudanças mais significativas foram as substituições do piso de campa em madeira da nave e capela-mor para ladrilho hidráulico, do altar-mor barroco do século XVIII, em madeira, para outro em massa e mármore no ano de 1940, e a do forro.

Com a nova reforma, o imóvel histórico ganhou iluminação moderna. Na parte interior, as lâmpadas ficaram dispostas nas laterais e os altares ganharão colorido especial. A fachada também ganhará iluminação especial, valorizando as formas da igreja.

*Reportagem publicada originalmente no Jornal O Estado do Maranhão; com modificações
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