Fábrica Santa Amélia

A antiga Fábrica de Tecidos Santa Amélia é um símbolo do desenvolvimento econômico da antiga São Luís. Construída no século XIX e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Complexo da Fábrica de 9 mil m² foi reformado e restaurado pela Universidade Federal do Maranhão para receber os cursos de Hotelaria e Turismo, além de um Hotel-escola.

Localizada entre as Ruas do Mocambo e da Inveja, com sua fachada principal na Rua das Crioulas (Cândido Ribeiro), no Centro de São Luís, a Fábrica Santa Amélia, que foi uma das 12 fábricas de tecidos que formavam o parque industrial da capital maranhense na segunda metade do século XIX.

Cândido Ribeiro, considerado o maior expoente desse empreendedorismo e conhecido como o construtor de fábricas de tecidos, foi quem fundou o Cotonifício, composto pelas fábricas Santa Amélia e São Luís, que exportava para diversos estados do Brasil e alguns países da América Latina, empregando 670 operários em 294 teares com a produção de 3.500.000 metros anuais de brins e riscados.

Saiba mais:  Antiga Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil.

Imagens da Fábrica retiradas do encarte

A fábrica foi inaugurada em 1892, mas faliu em 1966. No começo de sua história, chegou a ter 50 operários para produzir 440 mil metros de tecidos que eram exportados principalmente para a Inglaterra. Sua grande produção refletia todo o poderio econômico da elite enriquecida pelo algodão à epoca. Em 01 de julho de 1987 foi tombada pelo secretário executivo do Ministério da Cultura, Joaquim Itapary, que a cedeu para reforma. A construção permanece como monumento para a reflexão sobre arquitetura, industrialização, expansão da cidade e sobre o trabalho, onde azulejos portugueses comungam o mesmo terreno com estruturas de ferro, explicitando dois tempos: o auge da cultura do algodão e o sonho de transformar o Maranhão agrícola em industrial.

A fábrica foi erguida na parte superior do terreno onde está localizado a Fonte das Pedras. Na época havia um acesso que ligava os dois ambientes. Contornos dessa ligação foram encontrados durante a construção de um novo projeto para a fonte, inaugurado pela Prefeitura Municipal em junho de 2008.

Saiba mais: Conheça a história da Fonte das Pedras.

De acordo com a fachada original da fábrica, erguida no lado elevado e pavimentado do terreno, a fonte é que ficava, à época, aos fundos da construção, já que originalmente nesses 1500 m² se viam apenas olhos d´água, que banhavam as barracas próximas ao local.

Outro complexo que está sob a proteção do Patrimônio Histórico da cidade é um conjunto de casas que faziam parte de uma vila Iphan embargou a demolição das casas. A vila operária foi tombada e ameaçada de destruição pela dona do imóvel que queria transformar o local em estacionamento, sendo necessária a ação da polícia federal.

Fábrica Santa Amélia / Foto: Edgar Rocha

Fábrica Santa Amélia / Foto: Edgar Rocha

Revitalização – Em posse da Universidade desde 6 de maio de 1987, as instalações da fábrica ficaram abandonadas por muito tempo, passando por um longo processo de deterioração. O projeto de recuperação é resultado de uma parceria entre a UFMA e o Iphan, que supervisionou as obras. Tudo foi planejado para que detalhes da memória do prédio não fossem esquecidos. As telhas francesas de Marselha foram retiradas uma a uma (todas possuem um coração com marca registrada) e lavadas a uma determinada temperatura para que não perdessem as suas características originais; o elevador, de 1910, que servia para puxar os fardos de tecidos da Fábrica, foram recuperados e vão fazer parte do acervo museológico. 

O forro de madeira em forma de peixe foi reconstruído; os azulejos da fachada também foram restaurados na própria fábrica, pois um forno foi comprado só para isso; os vitrais lisos da janela, que não existem no Brasil, vieram do exterior; uma escadaria helicoidal escocesa foi restaurada, degrau a degrau, por sua delicadeza; um gradil de ferro também também foi recuperado para voltar ao seu lugar, enquanto várias caldeiras e galerias compõem os achados de época em um museu vivo e permanente.

A nova Santa Amélia conta com uma série de atrativos como uma biblioteca de 467 metros quadrados; um prédio central com 2.470 metros quadrados; uma unidade hoteleira de 1.415 metros quadrados; uma empresa júnior de turismo com 2.049 metros quadrados; um auditório com capacidade para 450 pessoas, equipado com cabine de tradução simultânea (5.585 metros quadrados); e vários laboratórios com 309 metros quadrados.

Com informações do Iphan. Atualizado em 07/10/2015. Imagens: Iphan / Edgar Rocha 

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Um comentário sobre “Fábrica Santa Amélia

  1. Espero que a fonte das pedras também seja administrado pela UFMA, Afinal os governos nunca souberam cuidar ou valorizar esse pedacinho da nossa historia.

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