Igreja Nossa Senhora Do Carmo

Igreja Do Carmo / Foto: Museu dos Capuchinhos

A construção da Igreja e do Convento do Carmo, em São Luís, data do ano de 1627, quando o governador Francisco Coelho de Carvalho mandou erguer em terreno abandonado na Rua do Egito – onde havia uma capela com invocação a Santa Bárbara, conhecida por muito tempo como “Carmo Velho” –, as novas instalações do convento onde os carmelitas que aqui viviam instituíram um centro de estudos religiosos. Na época, a cidade ainda era muito pequena.

Visite também a Igreja de São João, em São Luís.

A história da igreja está ligada a lutas da cidade. Entre elas, a batalha que resultou na expulsão dos holandeses de São Luís (1641). O convento serviu de abrigo para mulheres e crianças, além de fortificação para guardar artilharia. Nessa época, a edificação foi bastante danificada, permanecendo assim durante muito tempo, já que a cidade não tinha condições de reformá-la, o que aconteceu no século XVIII, com as mudanças socioeconômicas de São Luís, com a implantação da Companhia de Comércio e com a introdução do trabalho escravo negro.

Igreja após reforma, com escadarias laterais

Da Igreja nasceram ruas importantes da província que se tornava uma grande cidade. Em 1808, as duas torres da igreja foram erguidas. Nas décadas seguintes, serviu de sede para artilharia imperial e mais tarde para o Corpo Policial de Segurança Pública. No andar superior, funcionou também a Biblioteca Pública (1831) e após remoção do Corpo Policial, abrigou o Liceu Maranhense, dirigido por Sotero dos Reis. Uma placa com a inscrição Liceo – 1838 ainda existe no local. Já em 1866 teve a fachada revestida por belíssimos azulejos portugueses, preservados até hoje.

Curiosidades– Um fato interessante são as galerias subterrâneas que ligam a Igreja à Fonte do Ribeirão, preservadas até hoje, mas fechadas à visitação pública. Outra situação que envolve a Igreja e seus moradores está relacionada à construção do Teatro Arthur Azevedo. Os frades da Ordem dos Carmelitas impediram que um templo mundano fosse erguido ao lado da Igreja. Para eles seria uma profanação. Por isso, o teatro foi construído com a frente voltada para Rua do Sol.

Conheça a história do Teatro Arthur Azevedo.

No Largo do Carmo também funcionou a primeira feira da cidade e ali também existiu o pelourinho, “uma coluna de mármore, alta de uns doze metros, trabalhada em feixes espiralados e partidos da base quadrilonga até ao capitel. Sobre este encontrava-se o aparelho punitivo” onde os negros eram punidos e expostos aos que passavam, como presenciado por Odorico Mendes. Uma réplica do pelourinho pode ser vista no museu Cafua das Mercês.

Descubra a Cafua das Mercês, que conta história do negro.

Vista da Praça João lisboa, com Igreja em destaque

Depois de um período de decadência das irmandades instaladas no convento, chegam a São Luís os seus novos ocupantes para fundar a missão dos Capuchinhos Lombardos no Maranhão, em 1893. Mas a igreja estava em péssimas condições estruturais e só foi aberta ao público em 1895. As obras de recuperação continuam ao longo da primeira metade do século. Em 1931 e 1932, deu um corte na sapatas e do calcadão que fazia limite com a Rua da Paz, visando urbanização da cidade e alargamento da rua, por onde passava a linha de bondes. Na ocasião foram suprimidas três janelas do convento.

Vista da Praça João Lisboa; Convento ainda com seus 10 conjuntos de janelas, antes da demolição para alargamento da Rua da Paz

Em meados da década de 1940, desabou parte da capela que pertencia á Irmandade de Bom Jesus dos Passos. Durante a reforma do largo e da Praça João Lisboa, a escadaria que ficava em frente à igreja foi removida e construída duas nas laterais da igreja que receberam acabamento  em cantaria de lioz. As modificações fazem do logradouro muito diferente da arquitetura original, mas apesar disso ainda encanta quem chega à cidade.

Saiba mais sobre a Praça João Lisboa

Igreja antes da reforma, com escadaria para frente

Museu – No dia 27 de julho de 2007, foi inaugurado o Museu da Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo. Seu acervo conta com um número considerável de peças datadas do ano 1894 até os dias atuais. O museu quer ser uma estrutura viva e falante que narra à história da igreja do Carmo e da Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo. Seu valor não está na preciosidade de suas peças, mas na documentação dessa história.

Visite
Igreja e Convento Nossa Senhora do Carmo
Onde: Largo do Carmo, Rua do Egito – Centro
Como chegar: Ônibus e bondes não passam mais próximo à igreja. Então, só se chega lá de carro ou à pé. Caminhando, desça na Avenida Beira-Mar, no para de ônibus após a ponte José Sarney. Suba a Rua do Egito (uma ladeira um pouco íngreme no início) e logo encontrará o templo. Se preferir vir da Praia Grande, terá que subir escadarias e ladeiras.

Com informações dos livros “Arquitetura e arte religiosa no Maranhão”, de Kátia Bogéa (Org.) e “Caminhos de São Luís”, de Carlos de Lima.

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