Aluísio Azevedo revisitado

Aluísio Azevedo / Foto: Reprodução

Por Raiza Carvalho

Escritor maranhense, Aluísio Azevedo foi o responsável por iniciar a escola literária Naturalismo no Brasil. Consagrou-se como o fundador da cadeira de número 4 da Academia Brasileira de Letras e suas obras literárias O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço são reconhecidas internacionalmente. Apesar do merecido respeito lá fora, no Maranhão o autor é pouco conhecido e seu patrimônio está sendo negligenciado.

Para despertar a atenção de seus conterrâneos e salvaguardar a memória de Azevedo, o grupo DRAO Teatro da (IN)constância está em campanha pela valorização de sua obra, que culminará com as apresentações de uma montagem original de O Mulato. A peça estreará na terça-feira, dia 4, em sessões gratuitas às 15h30 e 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro).

A apresentação é resultado de uma pesquisa que teve início em dezembro de 2011 e passou por uma série de etapas, conta Leury Monteiro, diretora de produção. O grupo entrevistou os descendentes dos Azevedo, visitou e fotografou o casarão onde o romancista viveu, os locais descritos em suas obras, pesquisou suas relíquias no Museu Histórico e Artístico do Maranhão e realizou uma série de quatro palestras abertas ao público para discutir diversos aspectos do espetáculo.

O sobrinho-neto de Aluísio e Arthur Azevedo, Américo Azevedo Neto (fundador e diretor do grupo Cazumbá de dança e teatro), contou que a família doou aos museus da cidade as cartas trocadas entre os tios-avôs enquanto Arthur estava no Rio de Janeiro e Aluísio estava em São Luís – um patrimônio que Faladeli e Monteiro não conseguiram localizar em suas pesquisas nos museus da cidade.

“Ninguém soube nos informar onde estava. Visitamos o Museu Histórico e Artístico do Maranhão e descobrimos que o manuscrito de O Mulato embaixo de uma pilha de livros. A primeira obra naturalista do Brasil deveria estar exposta com destaque, no mínimo, mas muitos desconhecem até o fato de que ela está lá”, conta Monteiro.

Com todos esses dados em mãos e impulsionados por um sentimento de revolta, a companhia DRAO Teatro da (IN)constância objetiva dar seguimento a esta campanha da valorização da obra de Aluísio Azevedo e futuramente fazer a montagem teatral das obras Casa de Pensão e O Cortiço, que compõem a tríade das obras-primas do autor.

Atores encenam na Praia Grande / Foto: Divulgação

O Mulato – No livro, o escritor se utilizou do protagonista Raimundo e de vários personagens caricaturados para apresentar a si mesmo e à sua família a injusta sociedade ludovicense, utilizando os próprios cenários da cidade. A história conta a vida de Raimundo, órfão de pai, um ex-comerciante português e filho de uma ex-escrava do pai.

Com formação europeia e posses, o personagem volta para São Luís e se apaixona por sua prima, Ana Rosa, que retribui o sentimento. A origem mestiça de Raimundo acaba se tornando um dos maiores obstáculos à paixão, impedida pela família da moça e pelo cônego Diego, uma figura religiosa que trazia em si todos os preconceitos e hipocrisias que regiam a sociedade da época.

De acordo com Faladeli, a mágoa de Azevedo com a cidade se torna mais compreensível após a leitura da obra. “A figura do homem culto e de boa condição, porém rejeitado pela igreja e, consequentemente, pela sociedade ludovicense, representa muito bem o próprio Aluísio. Concluímos que o mulato era uma representação dele”, explica o diretor do espetáculo.

Na Rua do Sol, os pesquisadores encontraram o mirante onde ele escreveu O Mulato e observaram que Azevedo tinha uma privilegiada visão do alto no centro da cidade. “Ele conhecia as pessoas e seus hábitos e no livro há descrições detalhadas e perfeitas. Acreditamos que os personagens eram pessoas reais e ele só trocou os nomes”, acrescenta ele. O lançamento do título causou um enorme escândalo na época e Aluísio Azevedo passou a ser perseguido e foi embora de São Luís. Nunca mais voltou.

A equipe realizou uma série de fotografias nos locais descritos por Azevedo em O Mulato, seguindo a própria narrativa do livro. Este estudo também foi necessário para a criação do cenário do espetáculo.

Serviço

Espetáculo O Mulato do grupo DRAO Teatro da (IN) constância, terça-feira, 4, às 15h30 e 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Entrada livre com retirada de ingressos um hora antes do espetáculo.

Publicado originalmente em O Estado do Maranhão

Anúncios

2 comentários sobre “Aluísio Azevedo revisitado

  1. Olá, estou sendo diretora de uma peça de teatro que vai apresentar, O mulato de Aluísio de Azevedo, no próximo mês. Estou precisando de um roteiro já com os nomes de quem fala as falas de cada personagem. ex.: Ana Clara: — Chamar o médico?… Ora papai, não vale a pena!…
    Ficarei muito grata de me conseguisse esse roteiro.

    1. Professora, nós nao temos esse roteiro. Mas creio que seja fácil encontrar na internet. Tente ser palavras como adaptacao para teatro, roteiro para teatro ou coisa semelhante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s