Exposição no Convento das Mercês

Poncheira russa em forma de cisne

Por Carla Melo

Um casarão que transpira história, o Convento das Mercês, sede da Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB) está rodeado por um cenário que possibilita contemplar, de um lado o centenário bairro do Desterro, no Centro Histórico de São Luís e, do outro, a beleza do Rio Anil. É lá que está montada a exposição A Construção da Memória Republicana Brasileira, aberta à visitação pública às segundas, das 14h às 18h30, de terça a sexta-feira, das 9h às 18h30, e aos sábados, das 9h às 12h.

Conheça a história do Convento das Mercês.

O acervo que compõe a mostra foi doado pelo senador e escritor José Sarney à Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB), e reúne informações importantes sobre a memória política contemporânea do país. Integram o acervo da FMRB mais de 40 mil itens, que poderão ser consultados pelo público por meio de visitas monitoradas.

São documentos, fotografias, vídeos e produções cinematográficas, além de uma vasta biblioteca. Na mostra estão expostas aproximadamente 4 mil peças museológicas entre obras de arte sacra e outras imagens religiosas, esculturas, gravuras, quadros, vestimentas e trajes oficiais, chaves de cidades visitadas pelo presidente, placas, medalhas, condecorações, moedas, cédulas, selos e elementos representativos de todas as regiões do país.

Quem for à mostra poderá ver um conjunto de amuletos religiosos que eram levados no bolso pelo então Presidente da República José Sarney; um conjunto escultórico representando figuras de políticos a exemplo de Tancredo Neves; imagens de santos como a de Nossa Senhora da Conceição esculpida em madeira; entre outros objetos, como um bastão proveniente da Bolívia, bandeja do Sri Lanka, uma bússola da Itália e uma poncheira em forma de cisne vinda da Rússia.

A poncheira em forma de cisne tem significados especiais na Rússia, como a simbologia da luz masculina solar e fecundadora ou ainda, a força do poeta e de sua poesia. Essa peça foi ofertada a José Sarney pelo governo da então URSS, por ocasião da viagem presidencial, realizada em outubro de 1988.

Cabeça da serenidade, de Cornelis Zitman / Venezuela

Outra peça de destaque é a escultura Cabeça da Serenidade, do artista plástico Cornelis Zitman. A peça em bronze foi feita em 1926 e dada de presente ao então presidente da República, no dia 1º de junho de 1987, pelo embaixador Simon Alberto Consalvi, ministro das Relações Exteriores da Venezuela. Essa é uma das peças preferidas de José Sarney.

Imagens – Também integram o acervo álbuns de fotografia e fotos avulsas, material audiovisual que registram momentos históricos do Maranhão e do Brasil. Chama a atenção a exposição de telas como Auto-Retrato, de Rui Preto Pacheco, um óleo sobre tela de 1986; Colhedores de cacau, óleo sobre tela de Climério Sousa Cordeiro pintado em 1987; e Fuga para o Egito, acrílico sobre tela de Fé Córdula, datada de 1984.

Do acervo bibliográfico fazem parte mais de 25 mil documentos, entre livros, folhetos, fascículos, periódicos e edições de obras raras. Referência para pesquisadores de várias partes do Brasil, o acervo abriga livros raros como os originais de Espumas Flutuantes, do poeta Castro Alves, e Sermões, do Padre António Vieira, além de originais de Eça de Queirós, Jorge Amado, Odorico Mendes, Camilo Castelo Branco, Tomás Antonio Gonzaga, entre outros.

Do padre António Vieira há duas coleções contendo seus sermões. As mais antigas datam de 1908 e 1909. Entre as raridades de maranhenses, estão as primeiras edições de Aluísio Azevedo – Casa de Pensão e O Mulato – e o primeiro livro publicado por uma maranhense. Trata-se de Ursula, de Maria Firmina dos Reis. Além desses, o acervo da Fundação reúne obras de diversos escritores portugueses, franceses e russos. Podem ser encontradas ainda publicações sobre história, geografia, direito, saúde, administração, educação, música e linguagem.

Serviço: Exposição “A Construção da Memória Republicana Brasileira”, de terça a sexta-feira, das 14h às 17h30, no Convento das Mercês (Rua da Palma, Desterro). Entradagratuita.

Texto publicado originalmente em O Estado do Maranhão (10/10/12).

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Um comentário sobre “Exposição no Convento das Mercês

  1. Achei importantíssima a iniciativa, esperando que não tenha caído no esquecimento o grande republicano Doutor Miguel Vieira Ferreira, nascido no Maranhão e que muito fez pela sua cidade, seu estado e pelo seu país. grata

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