A chegada da televisão em São Luís

Foto: Reprodução

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São Luís foi a terceira cidade do Brasil a receber uma emissora de televisão, depois de São Paulo e Rio de Janeiro. Isso, em maio de 1955. A iniciativa da empreitada coube ao jornalista Assis Chateaubriand, à época, dono da maior cadeia de rádio e jornal instalada no país. Quem conta isso é o acadêmico e advogado Benedito Buzar.

Na época, circulavam na capital maranhense cinco jornais, além de ter três emissoras de rádio que levava à população ludovicense as principais informações sobre a cidade e o mundo. Também era comum o serviço de auto-falantes que compunham o sistema de comunicação de São Luís. Dezenas desses serviços se espalharam pelos principais bairros da cidade.

Benedito Buzar conta que a chegada de uma emissora de TV à capital maranhense tem conotação estritamente política. O jornalista Assis Chateaubriand, proprietário da Cadeia Associada, perdeu a eleição de senador, em 1954, em sua terra natal, a Paraíba, e que, pela força e presença de seus jornais e rádios, precisava manter-se no Senado e apoiar o candidato do PSD, Juscelino Kubitscheck, às eleições de presidente da República, em 1955.

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Sabendo que a sua candidatura estava sendo bombardeada pelas oposições maranhenses, que a denunciavam como inominável produto de barganha política, Chateaubriand, astuciosamente, mandou para São Luís uma equipe técnica e equipamentos da TV Tupi para funcionarem como veículo de sua propaganda política e destinada ao aliciamento do eleitorado mais resistente à sua candidatura.

Em março de 1955, de forma precária, um estúdio de televisão foi montado no auditório da Rádio Timbira, que funcionava no andar superior da Casa de Tecidos, na Rua Grande. Como era uma novidade e não existia um mercado de venda de aparelhos de televisão, as imagens geradas no estúdio eram transmitidas aos poucos aparelhos espalhados na Praça João Lisboa.

A população saía de suas casas para assistir os shows de artistas do sul do país e do nosso meio artístico, animados pelo famoso locutor Carlos Frias, uma das vozes mais bonitas do Brasil. O que não durou muito. Com o fim das eleições, em que Chateaubriand foi eleito representante do Maranhão no Senado, o estúdio da televisão foi desmontado e a Praça João Lisboa voltou a ser o tradicional local onde as notícias ganhavam ressonância através do boca a boca.

Nova emissora – Uma nova emissora só volta a ser instalada em São Luís na década de 1960. A TV Difusora, fundada em 9 de novembro de 1962 e inaugurada um ano depois, foi criada por iniciativa de empresários e políticos maranhenses que queriam divulgar os novos tempos que chegavam ao Maranhão. A responsabilidade pelo funcionamento definitivo da primeira emissora de televisão genuinamente maranhense pertenceu ao grupo empresarial, sob o comando dos irmãos Raimundo e Magno Bacelar, donos em São Luís de uma estação de rádio (Difusora) e um jornal (Jornal do Dia).

Os estúdios da emissora foram instalados no 10º andar do Edifício João Goulart, na Avenida Pedro II. Na noite da inauguração, que contou com as presenças do governador Newton Bello e do ministro da Justiça, Abelardo Jurema, a cidade parou e viveu momentos de emoção e expectativa. Cerca de 300 casas tinham o aparelho televisivo. Vizinhos se amontoavam para ver as notícias, antes só ouvidas ao redor dos rádios. Quando apareceu no vídeo a imagem das autoridades presentes à inauguração, gritos ressoaram e foguetes pipocaram saudando a mais nova forma de entretenimento, diversão e comunicação social.

A TV Difusora, que hoje completa 50 anos de vida, ao longo desse período, passou por várias fases e teve a sua programação modificada em função do progresso tecnológico. Na primeira fase, a programação pautava-se na produção local (até novelas) e exibição de filmes de curta metragem; na segunda, a predominância dos chamados “enlatados”, filmes americanos, de longa metragem e dublados para o português; na terceira, a introdução do vídeotape, com programas gerados no Rio de Janeiro e em São Paulo, para todos os gostos e idades; a quarta, com a inauguração das transmissões por satélite e de imagem em HD.

Com informações do artigo de Benedito Buzar publicado em O Estado do Maranhão. Imagem: Reprodução

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