Catedral de Nossa Senhora da Vitória (Igreja da Sé)

Catedral de Nossa Senhora da Vitória (Igreja da Sé), hoje denominada Catedral Metropolitana, foi a primeira igreja matriz da cidade, construída em 1621 pelo capitão-mor Domingos da Costa Machado, a fim de abrandar a ira de Deus (manifestada por uma epidemia de varíola na cidade). A consagração a Nossa Senhora da Vitória deve-se ao episódio da Batalha de Guaxenduba (que expulsou os fundadores da cidade em 1614) em que se acredita no milagre da transformação de areia em pólvora.

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Antes de ter a composição arquitetônica atual, a ermida era feita de taipa. Em 1625, após cessão de terrenos a jesuítas, foi construída uma capela para o Colégio dos filhos dos colonos, sendo a mesma dedicada a Nossa Senhora da Luz, demolida anos depois por falta de conservação. Já em 1690, outra construção foi iniciada sob a incumbência do padre João Felipe Betendorf, desta vez de pedra e cal. Até o final do século XVIII era difícil ver no Maranhão um edifício feito nesses moldes, por ser difícil e custoso.

Igreja no início do século XX / Foto: Gaudêncio Cunha (1908)

Igreja no início do século XX / Foto: Gaudêncio Cunha (1908)

A igreja foi construída com ajuda da população, que doou os materiais. A mão de obra era indígena. Nove anos foram gastos para o templo ficar pronto. A inauguração foi em 30 de julho 1699, com algumas modificações do projeto inicial elaborado por Betendorf. O altar-mor manteve-se como no primeiro projeto, sendo entalhado pelo português Manoel Mansos.

Reformas – À época, a igreja não tinha nenhuma das torres. A primeira, a que fica para a rua lateral, foi edificada em 1737, com autorização da Câmara que anuiu a construção tomando parte da rua em virtude da colocação do relógio oferecido pelos jesuítas. A segunda foi erguida em 1922, durante obras realizadas por conta das comemorações do centenário da independência do Brasil. Também foi colocada no frontão central do templo a imagem de Nossa Senhora da Vitória, no lugar da cruz de ferro. A imagem é obra do escultor português Joaquim Pereira da Costa.

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Palácio Episcopal (1908) / Foto: Gaudêncio Cunha

Palácio Episcopal (1908) / Foto: Gaudêncio Cunha

Nesse mesmo ano foi feita a remodulação da fachada que deu o estilo neoclássico à igreja, formando um conjunto uniforme com o Palácio Episcopal, que teve como sede o antigo Colégio da Luz, após o banimento dos padres jesuítas do Maranhão. Quando da expulsão dos jesuítas, foram retirados quaisquer vestígios da Ordem. Os santos jesuítas foram substituídos pelas imagens da Sé velha. O brasão da Ordem existente na fachada da catedral, onde ficava o óculo, deu lugar, provavelmente, à Coroa Imperial.

Vista da Av. Pedro II (Maranhense)  - Ao fundo o Palácio Episcopal e Igreja da Sé / Foto: Gaudêncio Cunha (1908)

Vista da Av. Pedro II (Maranhense) – Ao fundo o Palácio Episcopal e Igreja da Sé / Foto: Gaudêncio Cunha (1908)

O altar-mor constitui um das melhores obras de talha existentes em São Luís. Nele encontram-se duas imagens: uma de São Pedro e outra de São Luís, em homenagem ao Rei de França. O teto em abóbada possui afresco do artista plástico João de Deus.  Outros elementos de elevado valor histórico são cinco cobres pintados a óleo que representam parte da via sacra e o lavabo da sacristia, que apresenta dois golfinhos confeccionados em mármore.

Recuperação – Atualmente a Igreja da Sé passa por reformas de conservação, restauro e adaptação. O projeto inclui também o Palácio Episcopal. Ao todo, R$ 6 milhões serão investidos para total recuperação do espaço. A previsão é que a obra dure um ano. O projeto faz parte de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento Cidades Históricas, que também recuperará as praças João Lisboa, Deodoro e o Mercado Central, além de outros monumentos.

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Igreja em meados do século XX / Reprodução

Igreja em meados do século XX / Reprodução

Após o serviço de recuperação, o Palácio vai abrigar em seu 2º andar o Espaço de Referência da Arte Sacra no Maranhão será criado a partir da concepção da igreja como centro irradiador de cultura na época do Brasil Colônia e Imperial. Além da mostra dos elementos de arte sacra, cujas peças serão doadas pelo Museu de Arte Sacra, o local deve ser composto por uma exposição gráfica cujo conteúdo remeta o observador a outros locais do Maranhão e permita conhecer o acervo de arte sacra existente fora do espaço.

Fonte: BOGÉA; RIBEIRO; BRITO. Arquitetura e Arte religiosa no Maranhão. São Luís, 2008.

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