Boi Sotaque de Matraca (da Ilha)

Caboclos de pena / Foto: Geraldo Furtado

Caboclos de pena / Foto: Geraldo Furtado

São Luís tem um grande número de grupos de bumba meu boi, de todos os sotaques. Mas são os bois do sotaque de Matraca que possuem um apelo bem mais popular. Talvez por que seja o sotaque genuinamente ludovicense ou ainda porque é o que permite a participação mais efetiva dos brincantes na roda. Os bois de Maracanã, da Maioba e da Pindoba são alguns dos grupos mais conhecidos.

Conheça os cinco sotaques do bumba meu boi do Maranhão.

O sotaque, que nasceu em São Luís, por isso também denominado de sotaque da Ilha, recebe o nome por causa das matracas, instrumento composto por dois pedaços de madeira, que quando batidos um contra o outro provocam um som vibrante, o qual motiva os fãs da brincadeira a engrossar a massa sonora de cada “batalhão pesado”. Os bois de Matraca permitem uma maior participação do público uma vez que qualquer pessoa com um par de matracas pode ajudar o grupo em suas apresentações, mesmo que não estejam com as indumentárias.

Público toca suas matracas / Foto: Antônio Martins

Público toca suas matracas / Foto: Antônio Martins

Esses bois, portanto, são os que mais se aproximam das primeiras brincadeiras, uma vez que antes a participação do público na roda era bem mais efetiva, longe dos formatos vistos hoje, em que as apresentações são, como se diz, para turista ver.

Além da matraca, também integram o grupo de instrumentos desse sotaque o pandeirão, o maracá e o tambor-onça. Os pandeirões são feitos a partir de uma circunferência de madeira coberta com couro de boi ou de cabra. Para afiná-los, os brincantes utilizam o calor das fogueiras acessas nos arraiais antes do início de cada apresentação. Os brincantes vão batendo o couro até alcançar o som ideal.

Os maracás feitos de flandres com cabo, contendo grãos de chumbo ou algo similar, que produzem som semelhante a chocalhos quando sacudidos. De tamanhos variados, eles são utilizados somente pelos amos, vaqueiros ou rapazes. Já o tambor-onça lembra uma cuíca. Feito de flandre ou madeira e coberto com couro de boi, possui dentro um bastão: funciona com o tocador colocando azeite, água ou mesmo cuspindo na mão. Muitas vezes, utiliza-se um pano, se não a própria mão, deslizando no bastão para cima e para baixo, produzindo um “urro” semelhante ao de onça.

Pandeirões / Foto: Geraldo Furtado

Pandeirões / Foto: Geraldo Furtado

O sotaque de Matraca tem um som mais lento do que os outros sotaques, muito por influência indígena, grupo étnico que mais se sobressai nesses grupos. O bailado tem poucos gingados, de gestos bruscos, rápidos e curtos, semelhante à dança timbira. Entre os personagens estão os caboclos de pena ou caboclos reais, brincantes cobertos de penas grandes e coloridas. Possui um grande cocar ou capacete, peitoral, saiote, braceletes e tornozeleiras. A função destes é abrir passagem à frente para o deslocamento do grupo.

Bumba meu boi é patrimônio imaterial da humanidade.

Além dos caboclos de pena, são personagens dos grupos de matraca o pai Francisco e a burrinha (armação de buriti na forma de um burro, coberta de pano e sustentada por suspensórios nos ombros de um brincante). Entres os representantes do sotaque de matraca estão os batalhões da Madre Deus, de Iguaíba, de Ribamar, da Mata, do Tibiri, além dos já citados no início, entre outros.

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