São Luís através dos romances literários

Andar pelos bairros antigos de São Luís – como a Praia Grande, o Desterro, o Portinho, o São Pantaleão, a Madre Deus -, é mergulhar na história da cidade e, talvez, entender como era o cotidiano na época em que nem se imaginava ver automóveis por suas ruas estreitas ou postes de energia elétrica iluminando os passeios públicos. Além dos jornais que circulavam àquele tempo, bons registros da memória são os romances literários.

Cada escritor, com sua forma peculiar de contar histórias, estendiam-se por páginas e mais páginas para descrever os mistérios da Ilha, e com uma seleção apurada de palavras faziam uma fotografia da cidade. O PasseioUrbano.com selecionou algumas das obras da literatura maranhense em que os autores conseguem captar a alma dos logradouros e da gente ludovicense.

Um dos mestres na arte de retratar a capital maranhense foi Josué Montello. Obras como “Os tambores de São Luís”, “Largo do Desterro” e “Cais da Sagração” são alguns dos exemplos. Os becos, as ruas, as praças são narrados pelo autor e nos leva para uma província que ficou no passado. Os beirais dos telhados dos casarões coloniais, os largos do Carmo, do Santiago, do Desterro, até mesmo o Cemitério do Gavião são lembrados em sua obra, bem como as matracas do Caminho Grande, do Anil e da Maioba por cima das cantigas de bumba-meu-boi.

Leia: Curiosidade sobre origem dos nomes de logradouros de São Luís.

Em “Os tambores de São Luís” narra os caminhos percorridos por Damião. “Embora só houvesse no céu uma fatia de lua nova, por cima da igreja de São Pantaleão, uma tênue claridade violácea descia sobre a cidade adormecida, com a multidão de estrelas que faiscavam na noite de estio”.

Em outro trecho descreve uma das mais populares ruas da capital. “A Rua do Passeio, longa, retilínea, parecia não ter fim. Casas de azulejos de um lado e de outro, com grades de ferro rendilhadas, vidros coloridos no leque das janelas, um ou outro portal de pedra.”

Quem, ainda no século XIX, também descreve magistralmente a centenária São Luís é Aluísio Azevedo, que inaugura o Naturalismo no Brasil. Em “O Mulato”, São Luís figura como uma das principais personagens, ao lado dos tipos biológicos criados por ele. Nas primeiras páginas descreve o Largo do Comércio: “A Praia Grande e a Rua da Estrela contrastavam todavia com o resto da cidade, porque era aquela hora justamente a de maior movimento comercial”.

Em outro momento do livro, rememora um fato histórico relacionado a atual praça Gonçalves Dias. “Chamava-se então a ponta, que forma hoje o Largo dos Remédios, “Ponta do Romeu” (…) Só depois de cinqüenta e seis anos, é que o governador Joaquim de Melo e Póvoas mandou abrir uma boa estrada, a qual vem a ser hoje a nossa pitoresca Rua dos Remédios”.

Leia: A cobiçada São Luís, história da fundação da capital maranhense.

Romancistas mais recentes também têm sua versão literária em que narram São Luís, que além de fazer uma fotografia verbal da cidade, prendem a atenção dos leitores com histórias interessantes e instigantes. Entre eles estão: João Mohana, em “Maria da Tempestade” (1966); Bernardo Almeida, em “A última promessa” (1968) e “O Bequimão” (1973); José de Ribamar Galiza em “Apetrechos de amor”(1983); Waldemiro Viana “Graúna em roça de arroz” (1978) e “O mau samaritano” (1999); Conceição Aboud (1925/2005), em “Teias do Tempo – um intrigante romance de amor” (1993). Então, boa leitura!

 
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5 comentários sobre “São Luís através dos romances literários

  1. Seria de fundamental importância se alguém pudesse escrever algo a mais sobre a memória da nossa querida cidade de São Luis.Em breve estarei dando a minha contribuição ressalvando a história do maior sinistro que houve aqui na capital maranhense,a qual ceifou a vida de muitas pessoas deixando toda a população ludovicense perplexa.Vocês verão cenas chocantes e macabras seguidos de fortes relatos de duas pessoas que sobreviveram e também de filhos e parentes e das que viram in loco aquela tragédia.

  2. Nostalgicamente fiquei fascinado com “O MULATO” de Aluísio Azevedo e também por uma das obras do saudoso pesquisador e escritor José Ribamar Sousa dos Reis,o qual por diversas vezes podia vê-lo andando pela Feira da Praia Grande.O livro que este intelectual escreveu foi sobre a ZBM:O REINO ENCANTADO DA BOEMIA.Isto tudo é fascinante e faz a pessoa viajar no tempo.

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