Bate-volta: São Luís – Alcântara

Alcântara, “a cidade que parou no tempo”, como dizem por aí. Histórias curiosas revelam a cidade que, apesar de não está localizada na Ilha, integra a região metropolitana de São Luís. Se uma ponte ligasse as duas cidades seria necessário apenas 18 km de estrutura, o que facilitaria muito a ida e vinda entre elas.

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COMO CHEGAR?

5021149108_cd21017218_zHoje, a maneira mais rápida de chegar a Alcântara é por transporte náutico: lanchas, barcos ou catamarãs, o que leva em média, uma hora e quinze minutos dependendo da maré, saindo do Cais da Praia Grande. Uma dica, evite o período de agosto a começo de outubro, é quando os ventos são mais fortes e o mar ficam bem mais agitados. A viagem pode durar mais tempo, e não é nada bom para quem fica tonto ou sente ânsia em embarcações. O problema é que é nesse período, na lua cheia de agosto, que acontece o festejo de São Benedito, com rituais do tambor de crioula.

Os bilhetes variam de acordo com o tipo de embarcação: barco e lancha o bilhete custa R$ 15,00 (ida). A volta é o mesmo preço. Sugiro que logo que chegue ao porto de Alcântara compre a passagem de volta se quiser voltar no mesmo dia, ou terá que dormir na cidade, porque são poucas as embarcações do fim da tarde. Em tempo, as saídas das embarcações dependem da maré, por isso partem no início da manhã, por volta das 7h, e retornam no fim da tarde, por volta das 15h ou 16h. Os catamarãs são mais baratos, mas há opção de alugar um na marina da Península da Ponta d’Areia. A diária de um catamarã de médio porte custa entre R$ 500,00 a R$ 1.000,00.

Outra forma de chegar a Alcântara é através do Ferry Boat. Há opção de alugar um carro ou tomar alguma van que faça o traslado. A saída é do terminal da Ponta da Espera (São Luís) até o terminal do Cujupe (Alcântara). A travessia dura em media uma hora e vinte minutos. Do Cujupe terá de enfrentar a estrada (BR-222). A viagem pela rodovia dura cerca de uma hora e meia. Duas empresas fazem a travessia de ferry boat. Nos períodos festivos é preciso reservar a passagem com antecedência, especialmente no Carnaval, Páscoa, Semana da Pátria e festas de Fim de ano. Se for de táxi até o terminal, no Cujupe terá vans que levarão até o Centro de Alcântara. Veja os contatos no fim desse texto.

UM POUCO DA HISTÓRIA…

Alcântara, que já foi aldeia tupinambá, e que hoje tem uma das maiores áreas remanescentes de quilombos do estado, podia ser cenário de filme de época. Construções antigas e ruínas de um passado próspero, em que após se tornar vila, entre o século XVIII e XIX, configura-se como importante ponto de produção e entreposto comercial de produtos da baixada maranhense com São Luís. É nesse momento que o Centro Histórico da cidade ganha os contornos que se conhece hoje. Erguem-se a Casa de Câmara e Cadeia, o Pelourinho, seus imponentes sobrados e igrejas, alguns já em ruínas.

Com o desenvolvimento da produção de algodão no Brasil e o fim da Escravatura, o século seguinte é regido por uma inércia sócio-econômica. O acesso à cidade torna-se difícil e seu isolamento inevitável. No final do século passado, a instalação do Centro de Lançamento de Aeroespacial (CLA) poderia ser o sonho do desenvolvimento, as acabou se transformando em pesadelo quando da retirada sumária de quilombolas de seus locais seculares de morada. Entretanto essa foi a mola propulsora da organização social que se vê hoje, pelo menos na região mais central da cidade. Conhecer a Alcântara de hoje é mergulhar na história do país, dos costumes e tradições de um povo, preservada no patrimônio material e imaterial deste lugar.

O QUE FAZER?

filename-museu-casa-historicaCaminho Histórico: O roteiro começa pela Ladeira do Jacaré e percorre o caminho de acesso ao interior do Centro Histórico. Ao pé da ladeira há um centro de informação turística. A ladeira carrega consigo a missão de dar boas vindas a quem se aventura pela cidade. Do alto, uma vista panorâmica. Em seguida, tem-se a Capela de Nossa Senhora das Mercês e os Poços dos Frades.Um pouco mais adiante fica a Fonte das Pedras, datada de 1714, ainda utilizada pela comunidade.

No extremo da Rua Pequena fica a Capela do Desterro. Retornando à Rua das Mercês já se avista a Praça da Matriz, o cenário mais fotografado da cidade. No seu entorno estão o casarão sede do Iphan, a antiga Casa de Câmara e Cadeia, sede da Prefeitura e da Câmara dos Vereadores, além de dois importantes museus da cidade, a Casa Histórica de Alcântara e o Museu Histórico e Artístico de Alcântara. No meio da praça, as ruínas da Igreja Matriz de São Matias e o Pelourinho.

Caminho Santo: Partindo da Praça da Matriz, o roteiro apresenta os principais templos religiosos da cidade. Na Rua de Baixo, encontra-se o primeiro Passo da Paixão de Cristo. Mais a frente, as ruínas do Barão de Pindaré, construção inacabada que tinha ambição de hospedar D. Pedro I, em sua visita à cidade, o que não ocorreu. Seguem as ruínas da Igreja de Santa Quitéria, da Rua da Amargura, do Palácio Negro e do Barão de Mearim (que também pretendia servir ao imperador).

7876319278_4390a679e1_zNesse roteiro, são paradas obrigatórias o museu Casa do Divino Espírito Santo, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, as ruínas do Convento dos Padres Carmelitas, ruína da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – edificada pelos escravos. Vale ainda a visita ao Centro de Cultura Aeroespacial.

Quem tiver mais tempo, pode visitar logradouros mais distantes do centro, como a Igreja de Nossa Senhora do Livramento, o Cemitério de São Benedito, a Fonte da Mirititiua e o Forte de São Sebastião. Há trilhas ecológicas, como a Trilha da Nascente e Trilha dos Cocais, que dão acesso a praias quase desertas da Itatinga e da Baronesa, além do Igarapé do Puca. Será necessário o transporte de canoa para essa região.

5161731420_8821b78e13_zFestas: As festas mais populares e sincréticas de Alcântara são a Festa do Divino Espírito Santo, que ocorre em maio, culminando no domingo de Pentecostes; e o Festejo de São Benedito, em agosto, quando ocorrem os rituais de tambor de crioula, uma das maiores manifestações culturais do estado, tombada como Patrimônio Imaterial pela Unesco.

INFORMAÇÕES ÚTEIS:

Filtro solar e água são indispensáveis. Se tiver um guarda sol, ou mesmo um chapéu, ajuda também. A cidade é quente.

Terminal Hidroviário (Cais da Praia Grande) – Rampa Carlos Melo, s/n – Tel: (98) 3232-0692

Ferry boat: Serviporto e Marítima Internacional

Fonte de Pesquisa: São Luís – Ilha do Maranhão e Alcântara (Guía de Arquitetura e Paisagem), 2008.

Imagens: Reprodução / Governo do Estado

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4 comentários sobre “Bate-volta: São Luís – Alcântara

  1. sou de natal conheci alcântara no 23 de setembro 2004 e nunca más deixei de ir pois mim marcou muito a simplicidade do povo a cultura, a hospitalidade tenho como referência tia Quilar e família. foi uma família que ganhei.

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