Chegada do telefone em São Luís

Apesar das facilidades, hoje em dia as pessoas quase não fazem ligação telefônica, porque preferem utilizar as redes sociais para se comunicar. Já no século XIX, conversar por telefone era privilégio de poucos. Em São Luís, a primeira conversa telefônica foi transmitida em 29 de maio de 1880, três anos após a implantação da primeira linha de telefone no Brasil, no Rio de Janeiro, por ordem de D. Pedro I. As informações são do pesquisador maranhense Luiz de Mello, registradas em seu livro Primórdios da Telefonia em São Luís e Belém.

Segundo ele, a linha ligava o escritório do Visconde de Itaqui, no Largo de Palácio, ao Armazém de Cargas da Empresa de Navegação Fluvial Moreira da Silva & Companhia, na Rua do Trapiche, no Centro de São Luís. A instalação foi de responsabilidade de um jovem inventor maranhense, Isidoro Pereira de Pinho, que trouxe o aparelho à Ilha. Ele tornou-se um especialista em linhas telefônicas e telegráficas. Ele viajava com frequência a Belém, onde provavelmente adquiriu aparelhos para venda e recebeu orientações para a instalação de linhas, dadas pelo comerciante e industrial Carlos Monteiro e Souza, que já implantava circuitos telefônicos na capital paraense.

Em 20 de abril de 1880, Isidoro Pereira de Pinho publicou um anúncio sobre venda de telefones e instalação de linhas no Diário do Maranhão. Dias depois, o Visconde de Itaqui se interessou pelo negócio. “O atarefado Visconde de Itaqui sonhava com um meio eficaz de comunicação que lhe evitasse mandar e receber recados por meio de rapazolas mensageiros que raramente trabalhavam com absoluta presteza. Confortavelmente despachando de seu escritório no Largo de Palácio, n° 10, o gerente da Empresa de Navegação Fluvial não gostava de perder tempo. Ciente da oferta facilitada, o visconde ficou tão empolgado que firmou um contrato com Isidoro Pereira de Pinho”, relata o livro de Luiz Mello.

Leia mais: Chegada da televisão em São Luís.

A rede

Segundo os relatos do pesquisador, Isidoro Pereira de Pinho evitou usar os fios da rede de telégrafo da cidade para o funcionamento dos telefones. Assim, utilizou os telhados das casas para instalar os fios da nova rede telefônica, apoiando-os em grades nas cumeeiras das casas.

A segunda linha telefônica foi inaugurada em 19 de junho de 1880. A terceira linha foi instalada somente em janeiro de 1881, entre a sede do Banco Comercial e a residência do presidente desse banco. Mas com a mudança de Isidoro Pereira de Pinho para o Rio de Janeiro, meses após a inauguração da primeira linha, houve pouco crescimento da rede em São Luís na época.

A primeira comunicação telefônica interurbana no Maranhão – entre São Luís e Itapecuru-Mirim, só foi estabelecida em 8 de setembro de 1889. Um ano depois, a 26 de dezembro, foi publicada a primeira lista telefônica de São Luís, no Diário do Maranhão.

Companhia Telephonica do Maranhão

Em 1890 foi construído o casarão para abrigar a sede da Companhia Telephonica do Maranhão. A empresa funcionou durante muito tempo no imóvel de nº 242, na Rua de Nazaré, onde hoje está o Restaurante Escola do Senac. Desde sua construção, o prédio passou por várias reformas. A maior delas ocorreu no final da década de 1980, quando restavam apenas as paredes externas. Hoje é possível ver uma réplica do aparelho telefônico no frontão da fachada. O prédio tem planta em L e três pavimentos, que podem ser observados pela fachada lateral, já que há um grande desnível no terreno onde a edificação foi erguida.

Um dos exemplares dos primeiros telefones de São Luís está no casarão da Rua do Sol, que abriga o Museus Histórico e Artístico do Maranhão.

No Brasil

O telefone chegou ao Brasil um ano após Graham Bell expor o invento ao público na Exposição Internacional comemorativa ao Centenário da Independência Americana na Filadélfia, nos Estados Unidos. O primeiro aparelho telefônico em terras brasileiras foi instalado em 1877, a mando de Dom Pedro II, no Palácio da Quinta da Boa Vista, onde atualmente funciona o Museu Nacional do Rio de Janeiro. As primeiras linhas faziam ligação entre o palácio imperial e as casas ministeriais.

Com informações da jornalista Yane Botelho e do livro São luís Ilha do Maranhão e Alcântara (2008). Imagem: Reprodução / Senac.

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