Roteiro Cidade Alta

O Roteiro Cidade Alta passa pelos principais símbolos do poder de São Luís, saindo do forte de fundação, chegando até uma das praças mais movimentadas da cidade. Esse roteiro faz um mergulho sobre a história da única capital brasileira fundada por franceses, mas que pouco herdou de sua cultura, costumes e tradições, a não ser o nome. O roteiro pode ser feito pela manhã ou pela tarde. Pode agradar as crianças. Haverá ladeiras, então cuidado com idosos e crianças. Recomenda-se levar bastante água e um chapéu para proteger-se do sol.

PONTO INICIAL: O Roteiro Cidade Alta começa pela Praça Dom Pedro II, onde está o forte de São Luís, marco zero da cidade. A Praça foi construída seguindo o modelo de Plaza Mayor, onde se concentram os palácios do governo, da municipalidade, da justiça e episcopal, além de outros edifícios de senhores nobres da época. Por lá não passa ônibus, por isso terá de caminhar um pouco até o local, ou se preferir tomar um táxi até lá.

1 – A primeira parada é no Forte de São Luís, cuja construção foi iniciada em 1612 pelos franceses, que deram o nome em homenagem ao Rei da França. Ali se tem uma das mais belas vistas da parte nova da cidade, com os arranha-céus despontando no horizonte e o Atlântico banhando a Ilha. Não estranhe se o mar não estiver cheio. Temos uma das maiores marés do mundo.

_PAR54942 – De frente para a Praça, à esquerda temos o Palácio dos Leões, sede política e institucional do Governo do Estado do Maranhão e um dos maiores patrimônios arquitetônicos do estado. Muito mais do que a suntuosidade de sua estrutura frontal, vigiada por dois imponentes leões representando o Poder Executivo, o Palácio dos Leões tem três mil metros quadrados de área construída, dividida em três alas – residencial, administrativa e visitação –, que guardam um acervo cultural riquíssimo constituído por pinacoteca, esculturas, porcelanas, prataria, cristais e mobiliário.

8595550115_aced268c80_b3 – Seguindo, do mesmo lado temos o Palácio de La Ravardière (Sede da Prefeitura Municipal). O palácio foi construído por volta de 1689 para sediar a Casa da Câmara e Cadeia de São Luís. Depois de algumas reformas passou a ser sede da municipalidade. O nome é uma homenagem a Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, considerado fundador da cidade. Em frente do edifício há um busto do capitão esculpido por Bibiano Silva.

4 – Do outro lado, voltando um pouco para o começo do viaduto, próximo ao forte, encontra-se dois importantes casarões: a sede da Capitania dos Portos e a agência do Banco do Brasil. Esta última, contém azulejos holandeses, que estiveram no Maranhão, mas foram expulsos pelos portugueses durante a Batalha de Guaxenduba.

img_55795 – Na Rua Engenheiro Couto, entre Capitania dos Portos e o Banco do Brasil há um casarão cor de rosa que abriga o Casa Real Empório, um local agradável para uma pausa para um lanche. Cafés, cervejas artesanais, sucos, e doces de vários tipos, inlcuindo maranhenses e portugueses, além daqueles sem lactose e sem glúten são servidos ali. Você pode deixar para visitá-lo no final do passeio, se preferir.

6 – Retornando o caminho, segue o Palácio da Justiça, abrigando hoje o Tribunal de Justiça do Maranhão.  O Palácio está implantado sobre área que, em outros tempos, encontrava-se o cemitério velho. O prédio tem um frontão triangular decorado com uma imagem da Deusa Temis, símbolo da Justiça. Uma curiosidade, é que a deusa não tem os olhos vendados como em outras representações.

7 – Mais adiante estão outros casarios coloniais da região, que além e moradia, abrigaram jornais, bancos e comércios. Destaque para a quadra da esquerda que segue depois do Palácio de La Ravardière. Os quatro imóveis demonstram a pluralidade de estilos no centro de São Luís. Da esquerda para a direita, temos o nº 209, em estilo pombalino, com mirante e balcões sacados. A casa pertenceu a Ana Jansen. Depois, o nº 221 tem formas de Art Nouveau, que harmoniza com a tentativa neoclássica da fachada do prédio vizinho, o mais estreito. O último casarão do conjunto é o nº 241. Ele evoca a tradicional arquitetura colonial de São Luís. Os detalhes em cantaria das portas expressão o poder econômico dos antigos proprietários. A casa pertenceu ao escritor maranhense e imortal da Academia Brasileira de Letras, Graça Aranha, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna.

Igreja da Sé / Foto: Governo do Estado

8 – Ao fundo da Praça Dom Pedro II está o conjunto arquitetônico da Igreja da Sé e Palácio Episcopal. A Igreja da Sé (Catedral de Nossa Senhora da Vitória), hoje denominada Catedral Metropolitana, foi a primeira igreja matriz da cidade, construída em 1621 pelo capitão-mor Domingos da Costa Machado, a fim de abrandar a ira de Deus (manifestada por uma epidemia de varíola na cidade). A consagração a Nossa Senhora da Vitória deve-se ao episódio da Batalha de Guaxenduba (que expulsou os fundadores da cidade em 1614) em que se acredita no milagre da transformação de areia em pólvora.

9 – Palácio Episcopal, de estilo neoclássico, teve como sede o antigo Colégio da Luz, após o banimento dos padres jesuítas do Maranhão. Atualmente, em seu andar superior está o Museu de Arte Sacra do Maranhão, com exposição dividida em 13 salas que contam um pouco da história religiosa e sua importância na construção do Maranhão. Um elevador garante a acessibilidade no local.

10 – Saindo do Palácio, à esquerda encontra-se o Palácio do Comércio, construído entre 1941 e 1943, abrigando as instalações do Hotel Central e da Associação Comercial do Maranhão.

Biné Morais

11 – Em frente ao prédio está a Praça Benedito Leite. O logradouro já foi chamado de Jardim 13 de Maio, Largo do João Velho e Praça da Assembleia, e recebeu o atual nome em homenagem ao governador do estado e poeta maranhense. Antes, o espaço era ocupado por casebres. Em 1804, a mando do governo português, as moradias seriam retiradas para a construção do primeiro jardim botânico da cidade, mas o projeto foi abortado logo no início. No local há uma estátua em bronze do ex-governador esculpida na França por Émille Decorchement.

12 – O roteiro segue pelo beco que ladeia a Igreja da Sé, ao final dele está o Roxy, antes um cinema pornô, mas que hoje, restaurado, abriga o Teatro da Cidade de São Luís. Deste canto podemos ver um dos poucos edifícios desta região, que destoa do cenário colonial. O antigo prédio do Banco do Estado do Maranhão, reformado e descaracterizado para receber a sede administrativa da Prefeitura.

13 – Agora vamos descer a Rua do Egito, à esquerda, onde estão vários casarios coloniais, alguns reformados e outros sofrendo descaso de seus proprietários. Atravessando a rua, mais adiante está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A igreja, a segunda mais antiga edificação religiosa de São Luís, começou a ser construída em 1612, ano da fundação da capital. As formas atuais são de 1717. O culto dos escravos à santa foi introduzido pelos jesuítas no século XVII para legitimar a religião católica entre os africanos, considerados pagãos.

14 – Ao lado está a capela Capela de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, cuja construção original data de 1752. A capela está apegada ao Colégio Santa Teresa, das Irmãs Dorotéias, onde antes era convento (este foi modificado em reformas).

Fonte do Ribeirão / Foto: Governo do Estado

15 – Agora é hora de descer a Rua de Santo Antônio. A ladeira merece atenção, pode estar com problemas estruturais devido à retirada dos paralelepípedos e má conservação. No pé da ladeira está a Rua do Ribeirão, vire à direita e chegará ao um dos pontos turísticos mais visitados da cidade: a Fonte do Ribeirão.

Construída em 1796, a Fonte do Ribeirão é cenário de diversas histórias e lendas da cidade. Uma delas refere-se às galerias subterrâneas de aproximadamente dois metros de largura por dois metros de altura, que já foram abertas à visitação pública, mas atualmente encontra-se fechada. É lá que dizem estar a Serpente que afundará São Luís.

16 – O roteiro segue pela rua dos Afogados, subindo a ladeira à esquerda. Dois quarteirões depois, vire à direita, à Rua de São João. Siga reto até a outra esquina até chegar à Rua do Sol. Vire à direita, descendo a Rua do Sol, onde está o Museu Histórico e Artístico do Maranhão, o segundo casarão a esquerda.

Sediado em um solar do século XIX, o Museu Histórico reconstrói as moradias de uma São Luís que ficou no tempo. Edificado em 1836, a casa conserva grande parte de suas características originais, o resto foi modificado para receber o museu, que foi montado de forma a dar a noção de como as famílias moravam e viviam naquela época.

Fachada principal Teatro Arthur Azevedo / Foto: Governo do Estado

17 – Saindo do Museu Histórico, vire à esquerda e continue a descer a Rua do Sol. Mais à frente você encontrará o Teatro Arthur Azevedo, um dos Teatros Monumentos do Brasil. Começou a ser erigido no ano de 1815 em uma das áreas mais nobres da capital maranhense. A planta original desta grande casa de espetáculos previa abrir as portas do templo da arte para o nobre Largo do Carmo / Praça João Lisboa. Mas uma contenda com a Ordem Carmelita impediu que isso acontecesse.

No camarim número 1, nascia uma das grandes atrizes do teatro brasileiro, Apolônia Pinto, filha de uma atriz portuguesa que entrou em trabalho de parto durante um espetáculo.  Os restos mortais de Apolônia Pinto estão guardados no próprio Teatro, no piso térreo, em um nicho dá acesso à plateia. As visitações ao Teatro ocorrem de terça a sexta, das 14h às 17h.

18 – Saindo do Teatro, na Rua do Sol, há um conjunto de sobrados em frente. O primeiro deles pertence ao Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão. Mais adiante temos um sobrado com fachada de azulejos, entre outros distintos casarões que pertenciam às famílias abastadas de São Luís.

joão lisboa19 – Estamos quase no fim do passeio. Continuando até o fim da Rua do Sol chegaremos à Praça João Lisboa. O antigo Largo do Carmo é um espaço aprazível, bastante arborizado, onde poderá fazer um pequeno descanso. Ali poderá ver um grande monumento em bronze, com pedestal de mármore, erguido em homenagem ao jornalista João Lisboa no ano de 1918 pelo escultor francês Jean Magrou. Sob este monumento estão as cinzas do ilustre patrono da cadeira nº 11 da Academia Maranhense de Letras.

Antigamente, a praça era o coração de São Luís, onde se reuniam intelectuais e políticos para comentar a vida da cidade e discutir arte, política e literatura. Durante este período o logradouro também ficou conhecido como Praça da Liberdade. Os bondes também passavam por ali.

120 – Na esquina com a Rua do Sol está a sede dos Correios e Telégrafos de São Luís. Se tiver tempo, dá para ver uma pequena exposição sobre a evolução da comunicação que há na sede do órgão. Ao lado está a Casa da Cidade de São Luís, onde funciona a Junta Comercial. Mais adiante está a Igreja do Carmo (Ela faz parte do Roteiro Desterro, mas se não tiver tempo pode logo visitá-la.)

21 – Estamos chegando ao fim do roteiro. Do monumento de João Lisboa, atravesse para o outro lado da Rua do Sol, sentido à Caixa Econômica Federal. Depois irá cruzar para o outro lado da Rua do Egito e pegar o beco da Rua de Nazaré, em frente à praça.  No canto do Beco está o Edifício São Luís, sede da Superintendência da Caixa Econômica, de 1866. Casarão em três pavimentos, tem duas fachadas revestidas com azulejos portugueses, o que confere a ele o título de maior prédio de azulejos do país em estilo colonial. Depois de um incêndio, seu interior foi totalmente reconstruído em estilo moderno. Entre rapidamente só para ver contraponto moderno com a fachada colonial.

arquivo público22 – Passando o edifício São Luís voltaremos à Praça Benedito Leite, agora pela Rua de Nazaré, a qual seguirá, descendo a ladeira até a próxima esquina. No enlace da rua com a escadaria do Giz estão duas construções. Ao lado direito, o Arquivo Público do Estado Maranhão. Antes do órgão, o casarão foi residência, república, pensão familiar e, mais conhecido, por abrigar a Pensão Chicó, famoso bordel da área da Praia Grande, no final do século XIX. Como Arquivo Público, guarda grande acervo documental.

23 – PONTO FINAL: O prédio da outra esquina, à esquerda, será o ponto de interesse deste roteiro. Ali está o Restaurante do Senac, uma ótima opção para almoçar ou jantar pratos da cozinha maranhense. O restaurante ocupa o antigo prédio da Companhia Telephonica do Maranhão (1890). Pode não parecer, mas o prédio tem três pavimentos mais o mirante. Os outros dois estão no subsolo, graças ao desnível da Rua do Giz, por onde também existem acessos. No alto do mirante há uma réplica de um aparelho telefônico da época.

Como disse anteriormente, terá de pegar taxi para chegar até essa parte do Centro, já que é proibido o tráfego de ônibus. Se quiser usar o transporte coletivo, terá de caminhar de 10 a 15 minutos até o Terminal de Integração da Praia Grande.

Se gostou deste roteiro, veja os outros que o PasseioUrbano preparou e recomende a outras pessoas. Lembre-se que a sugestão de percorrê-lo em um turno valerá se não se prender muito tempo nos lugares. Nos museus vale a pena ficar 30 minutos ou um pouco mais. A visita guiada do Teatro Arthur Azevedo dura em média 45 minutos. Mas nos outros uma pausa para as fotos e olhar os detalhes não levará mais do que 10 minutos. A maior parte dos museus de São Luís são gratuitos. Se se cobram taxas, estas são de R$ 2,00, em média. Bom passeio!

Roteiros pelo Centro Histórico

Roteiro 1 | Cidade Alta
Roteiro 2 | Praia Grande
Roteiro 3 | Desterro
Roteiro 4 | Deodoro

Um comentário sobre “Roteiro Cidade Alta

  1. Amei o “passeio”. Mas está mais que na hora de atualizar, algumas coisas no nosso centro histórico já foram modificadas.

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