Roteiro Desterro

O Roteiro Desterro levará você a conhecer um dos primeiros bairros da capital e outros trechos da Centro de São Luís que foram incluídos nesta programação por facilitar o trajeto. O bairro Desterro ficou conhecido por abrigar a Zona do Baixo Meretrício de São Luís até meados do século XX, compreendendo importantes ruas do centro, com a Rua do Giz e da Palma. Será um passeio praticamente plano, por isso recomendado para crianças e idosos.  Importante tomar cuidado com seus pertences, esta é uma área em que o índice de marginalidade é grande, por isso é bom andar em grupo. Se for sozinho, vá de táxi. Leve água.

PONTO INICIAL – O roteiro começa pelo Largo do Desterro. A melhor forma de chegar até lá será através de táxi. Se for tomar ônibus, terá de descer na segunda parada depois do Terminal de Integração, no Portinho. Atravessar a Av. Vitorino Freire. Seguir pela esquerda o conjunto de casario, onde haverá duas escadarias. A primeira, mais estreita (e que recomendo) levará ao Beco do Precipício, ao lado da Igreja do Desterro. A outra maior, mais a frente, levará diretamente ao Largo.

Igreja do Desterro / Foto: Reprodução

1 – Estará então diante da Igreja de São José do Desterro, que foi reconstruída várias vezes, especialmente depois dos combates entre portugueses e holandeses que marcou a história da cidade. No início do século XIX a Igreja do Desterro estava em completo abandono e sua estrutura arruinada, até que desmoronou em 1832. Foi graças à devoção de um negro pobre que o templo foi reerguido.

2 – Saindo da igreja caminhe pela via em frente, a Rua da Palma. Esse trecho da rua é bem tranqüilo, habitado, com moradores muito corteses. Para quem gosta de experimentar bebidas diferentes, sugiro dobrar a primeira rua à direita (Travessa da Lapa) e encontrará a quarta construção do lado esquerdo, um pequeno sobrado que terá uns baldes empilhados a frente. Fica ali o Bar do Batista, a maior diversidade de cachaças e batidas da região. Bastante frequentado pelos boêmios da cidade. Depois podemos voltar à Rua da Palma.

Convento das Mercês / Foto: Anderson Corrêa

3 – De volta à Rua da Palma, já está à vista o imponente Convento das Mercês, sede da Fundação da Memória Republicana Brasileira, com 360 anos de história. Construído em 1654, o prédio além de convento da Ordem dos Mercedários, foi sede da polícia militar e do corpo de bombeiro, hospício, escola, entre outras funções. Hoje tem diversas exposições que contam a história da República do Brasil, e exposições educativas. O local é ideal para crianças. As exposições são multimídias.

Cafua das Merces - Governo do Estado4 – Saindo pelos fundos do Convento (peça informação aos guias do museu) você encontrará a Cafua das Mercês – Museu do Negro. Uma pequena construção que servia de local de comercio de escravos. Não há janelas no lugar, apenas seteiras para a entrada de luz e para a ventilação, o que demonstrava as condições opressoras e indignas de como viviam os negros em tempos do Império. No pátio interno há réplica do pelourinho de São Luís.

Fachada lateral do casarão / Foto: Biaman Prado

5 – O roteiro continua pela Rua do Giz. Saia da Cafua e vire à direita. Antes, os tapumes que rodeiam o convento protegem os alicerces da antiga Igreja das Mercês, que ruiu. Pela Rua do Giz, caminhe por dois quarteirões até encontrar a Rua Direita. Na esquina está o Centro de Cultura Vale, que funciona em prédio reformado que já abrigou o Liceu Maranhense. Vire à esquerda para encontrar a entrada. A entrada é pela Rua Direita. No local atualmente está a exposição “Um olhar contemporâneo das artes indígenas”.

6 – Volte para a Rua do Giz. Continuando, mais adiante no quarteirão da direita, verá um prédio de cor rosada com três pavimentos, sede da Pequena Companhia de Teatro, onde ocorrem alguns espetáculos experimentais.

7 – Siga adiante e encontrará na esquina a esquerda o belo jardim da Escola de Música. Mais tarde voltamos ali. Vire à direita, na Rua 14 de Julho. Passe os dois primeiros quarteirões até o encontro com a Rua Afonso Pena, vire à esquerda e logo estaremos no Largo do Carmo. Antes repare num belo sobrado de nº 46, que passa por reforma. O grande Solar construído em 1859 pertenceu a família leite, tendo no andar térreo espaço para o comercio e os pavimentos superiores servindo de moradia, com na maioria das construções locais. Depois abrigou escola, casino, hotel, até o Tribunal de Justiça do Maranhão. De último, foi comprado por Assis Chateau-briand, para ser sede do Jornal O Imparcial, que funcionou ali até 1994.

8 – Continuando chegaremos ao Largo do Carmo, depois nos deteremos a ele. Primeiro vamos seguir pela Rua Grande, a grande via de comércio de São Luís, à direita. O tráfego de veículos é proibido durante o horário comercial. Vamos andar até o início do segundo quarteirão. Lá está o prédio onde funcionou o Cine Teatro Éden, um dos diversos cinemas da cidade no início do século XX. Hoje o lugar é ocupado pelas Lojas Marisa. Mas a fachada em estilo Art Decór, com inscrição do nome do cinema, e parte da estrutura interna foram preservadas. Dentro há fotos antigas do cinema, que teve sua primeira sessão em 19 de abril de 1919.

9 – O roteiro segue pela rua transversal à Rua Grande, virando a esquerda. No final do quarteirão está a sede da Academia Maranhense de Letras, com a fachada principal voltada para a Rua da Paz, por onde passavam os bondes.

Igreja Do Carmo / Foto; Museu dos Capuchinhos

10 – Seguiremos a Rua da Paz pela esquerda, sentido Largo do Carmo, à esquerda. Suba a escadaria que dá acesso à Igreja de Nossa Senhora do Carmo. (Se você já visitou a Igreja no Roteiro Cidade Alta, pule para o item 11)

Antes de adentrar o templo, do alto da escadaria, olhe para a direita e verá o grande mural de azulejos do Prédio do Antigo Banco do Estado do Maranhão, que já vimos a fachada anteriormente no Roteiro Cidade Alta. Os desenhos representam figuras da cultura popular maranhense misturadas com imagens religiosas. O mural é de autoria de Antônio Almeida, responsável pela introdução do modernismo nas artes plásticas maranhense.

Agora sim, pode entrar na Igreja. A construção da Igreja e do Convento do Carmo data do ano de 1627. Em 1808, as duas torres da igreja foram erguidas. No andar superior, funcionou também a Biblioteca Pública (1831) e após remoção do Corpo Policial, abrigou o Liceu Maranhense, dirigido por Sotero dos Reis. Uma placa com a inscrição Liceo – 1838 ainda existe no local. Já em 1866 teve a fachada revestida por belíssimos azulejos portugueses. Ao lado da igreja há uma porta que dá acesso ao Museu da Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo. Seu acervo conta com um número considerável de peças datadas do ano 1894 até os dias atuais.

joão lisboa11 – Quando sair do Museu e da Igreja do Carmo, repare o largo e conjunto de casarões. Repare também na construção na praça ao lado esquerdo. Ali são bares, mas antes eram os pontos de embarque e desembarque dos bondes que passavam por ali. Dá para ver alguns trilhos ainda pelo chão, que não foram cobertos pelo calçamento da avenida. Se não fez o Roteiro Cidade Alta e não pretende fazê-lo, pode parar um pouco para descansar na Praça João Lisboa, bastante aprazível. Se já o fez, desça pelo lado esquerdo e siga até o final da praça, onde encontrará os antigos pontos dos bondes. Atravesse a avenida e desça a rua a frente, onde está o prédio verde em reforma. A Rua João Victal é uma pequena ladeira. Cuidado com idosos.

12 – Passando dois quarteirões dobre à esquerda, na Rua do Giz, a mesma de outrora. Nosso primeiro ponto de interesse nesse quarteirão será o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho. Na verdade o centro ocupa duas casas. A primeira está a parte administrativa do centro, além de uma biblioteca acessível ao público. No segundo casarão, a Casa da FÉsta, com exposições dedicadas a cultura popular e religiosa do estado.

Solar da Baronesa de Anajatuba / Foto: De Jesus

13 – O próximo casarão à esquerda é o Solar da Baronesa de Anajatuba, prédio sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). Edificado em 1872, ficou conhecido como Cavalo de Troia, por ser o mais alto do entorno. Serviu de moradia à família até meados do século XX. Depois foi sede de banco e de órgãos do governo. No local há pequenas exposições. Existem elevadores.

Escola de Música Foto Diego Chaves14 – Nosso roteiro está quase acabando. Lembra do jardim que vimos anteriormente. Ele pertence à sede da Escola de Música Lilah Lisboa. O solar, que pertenceu a Lilah Lisboa, tradicional professora de música de São Luís, passou por diversas transformações, mas guarda até hoje características arquitetônicas de épocas diferentes. O casarão difere dos outros da região por ter a fachada recuada e o jardim. A entrada da escola é pela Rua da Estrela. Vamos descer a pequena ladeira à direita e virar novamente a direita. O casarão acoplado ao solar tem características do período pombalino em São Luís: sobrado com funções de comércio no pavimento inferior e de residência no superior.

15 – Continuando a descer a Rua da Estrela, depois do Escola de Música, estão os novos prédios da Faculdade de História da Universidade Estadual do Maranhão, recentemente restaurados pelo Governo. Segue o casarão, ainda em reforma, que abrigará as futuras instalações da Casa do Tambor de Crioula.

16 – PONTO FINAL – O roteiro acaba na Praça Nauro Machado. Nos arredores há restaurantes e lanchonetes. Antes deve ter visto o Teatro João do Vale e a Câmara Municipal, que são pontos de interesse do Roteiro Praia Grande. Para pegar um táxi ou ônibus, volte para rua em frente a faculdade de História, siga por ela. No final encontrará um ponto de táxi. Atravessando a avenida em frente estará o Terminal de Integração da Praia Grande.

Se gostou deste roteiro, veja os outros que o PasseioUrbano preparou e recomende a outras pessoas. Lembre-se que a sugestão de percorrê-lo em um turno valerá se não se prender muito tempo nos lugares. Nos museus vale a pena ficar 30 minutos ou um pouco mais (com exceção do Convento das Mercês, onde há mais de uma exposição), mas nos outros uma pausa para as fotos e olhar os detalhes não levará mais do que 10 minutos. A maioria dos museus são gratuitos. Se se cobra a entrada, o valor em média é de R$ 2,00. Bom passeio!

Roteiros pelo Centro Histórico

Roteiro 1 | Cidade Alta
Roteiro 2 | Praia Grande
Roteiro 3 | Desterro
Roteiro 4 | Deodoro

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