Roteiro Praia Grande

O Roteiro Praia Grande percorre o bairro que ficou conhecido pelo Projeto Reviver, um grande investimento do governo para restaurar a área central da cidade, mais tarde tombada pela Unesco, dando o título de Patrimônio Mundial da Humanidade à São Luís. A Praia Grande corresponde à Cidade Baixa, com atividades comerciais do porto marítimo. O roteiro pode ser feito pela manhã ou tarde. Quem pretende curtir a noite, aconselho que faça no turno vespertino. Crianças são bem vindas a esse roteiro. Haverá escadarias e ladeiras, por isso, cuidado com idosos e pessoas com locomoção reduzida. Leve água.

PONTO INICIAL – Terminal de Integração da Praia Grande, onde passam a maioria das linhas de ônibus de São Luís. Ao sair dele, já na Avenida Vitorino Freire, siga até a faixa de pedestre e atravesse para o outro lado. Seguindo para a esquerda, pelo estacionamento, haverá um grande prédio de cor bege, a Casa do Maranhão, o ponto de partida deste roteiro. A entrada fica pela Rua do Trapiche, paralela à Avenida.

casa do maranhão 1 – A atual sede da Casa do Maranhão, construída em 1873, como indica a placa crava da entrada principal, foi construída para abrigar o Tesouro Público Provincial. O espaço tem uma exposição permanente reunindo história, tradições, patrimônio, artes e saberes que compõem a formação cultural maranhense. É possível sobrevoar a capital em uma tela touchscreen, discutir verdades e mitos sobre a sua fundação, conhecê-la sob o olhar de um fotógrafo do início do século e entender como e porque São Luís tornou-se Patrimônio Mundial.

2 – Saindo da Casa do Maranhão, antes de seguir para outros pontos de interesse, sugiro caminhar até a Praça dos Catraieiros, seguindo à esquerda da Casa do Maranhão. Da pequena praça dá pra ver o Cais da Sagração (ou da Praia Grande), de onde partem as embarcações para Alcântara. Também é possível ver o Atlântico, sua variação de maré (uma das maiores do mundo), e um pouco da região da Ponta d’Areia. O local é ótimo para fotografias.

centro tecnologico3 – De volta à Rua do Trapiche seguiremos até Rua Portugal, onde está o maior conjunto de Azulejaria de São Luís. Na esquina está a Secretaria de Turismo, onde existe um posto de informações turísticas. Depois vamos para a Casa de Nhozinho. O singelo museu presta homenagem ao trabalho de Antônio Bruno Pinto Nogueira, o Nhozinho (1904-1974), um dos mais importantes artesãos maranhenses. O casarão que abriga o museu foi construído no início do século XIX e permanece quase inalterado. Ali estão obras de diversos artesão que mostram o cotidiano do povo maranhense, com brinquedos, utensílios domésticos, embarcações e cultura popular.

catarina mina4 – Continuando na Rua Portugal, seguimos mais adiante e poderá ver um conjunto de casarões que hoje dão espaço para agências bancárias, centros de ensino e órgãos públicos. Ao lado da Casa de Nhozinho, sede do Centro de Capacitação Tecnológica do Maranhão, foi o primeiro edifício de São Luís a receber um elevador, que hoje deu lugar a uma escadaria. Do outro lado da rua estão alguns pontos de venda de artesanatos e lanches típicos. Mais nosso ponto de interesse não está exatamente na Rua Portugal, e sim na via transversal do lado esquerdo, o Beco Catarina Mina, um dos poucos logradouros do Centro Histórico de São Luís que leva nome de uma mulher, quiçá o único em homenagem a uma negra. O local era uma ladeira bem íngreme, que mais tarde recebeu uma escadaria de 35 largos degraus em pedra de lioz. No beco encontram-se lojas de artesanato, agência de viagens, grupos de teatro e alguns bares aconchegantes. No prédio do canto esquerdo há encontro de tambor de crioula e outras manifestações afro.

mav5 – De volta a Rua Portugal, continuamos a caminhada pelo lado esquerdo até o quarto casarão desta quadra que abriga o Museu de Artes Visuais (MAV), datado do século XIX, o mais alto do conjunto. Do mirante é possível ter a bela panorâmica da cidade. No museu estão obras de artistas modernistas maranhenses além de artistas nacionais como Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi e Ademir Martins. Ali também esteve a obra de Pablo Picasso, que foi retirada para restauração.

6 – Depois da visita ao MAV, é hora das poses para as fotografias. Este seja, talvez, o lugar mais fotografado da cidade. O conjunto de casarões da Rua Portugal, sem dúvida, é o retrato mais marcante da presença portuguesa em São Luís, por causa da azulejaria.

7 – Do lado oposto está uma das entradas da Feira da Praia Grande. A antiga Casa das Tulhas, demolida para a construção do mercado, é um prédio histórico datado de 28 de julho de 1855. Circundado por casas comerciais, na parte externa, esse mercado tem quatro entradas que dão acesso a dezenas de pontos de venda dispostos circularmente em seu interior. No espaço, são vendidos grãos, ervas, artesanato, ferragens, utensílios domésticos, comidas, entre outros gêneros típicos da região. Ali se pode comprar a Tiquira, aguardente tipicamente maranhense, de cor entre o lilás e azul, e de sabor forte.

largo do comercio8 – Saia da feira da Praia Grande pela saída que dá acesso ao Largo do Comércio (Rua da Estrela), nosso próximo ponto de interesse. Antes do Projeto Reviver, o espaço era uma grande confusão. Carros, caminhões, pessoas, animais se misturavam. Hoje o trânsito só é permitido para carros do serviço de limpeza pública e da polícia. A reforma deu uma cara nova ao local. Há árvores frondosas que servem para descanso. À noite, especialmente às sextas-feiras e vésperas de feriado, e durante o Carnaval e o São João, o lugar é bem movimentado.

defensoria públicaNo logradouro chama atenção o grande sobrado sede da Defensoria Pública. Com três pavimentos e um mirante, é um dos maiores sobrados da cidade, totalmente reconstruídos durante o Projeto Reviver. Ali foi encontrada em suas paredes, atrás de várias camadas de tinta, uma pintura-mural que reproduz o projeto da Praça do Comércio de Lisboa elaborado por Carlos Mardel.

9 – O roteiro continua pela rua lateral a esse sobrado (Rua João Gualberto), de frente para a Casa das Tulhas, onde no canto há uma lojinha de artesanato e souvenirs. A rua estreita levará até nosso próximo destino. Antes pode dá uma paradinha na Livraria Poeme-se, um sebo onde pode encontrar livros de autores maranhenses, nacionais e internacionais, além de vinis antigos, entre outros produtos.

10 – No encontro entre a Rua João Gualberto e a Rua do Giz (28 de Julho) teremos vários pontos de interesse. Primeiro, vamos para a esquerda, onde avistará uma escadaria. No canto direito, no casarão de cor vinho está o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, um espaço que encantará especialmente as crianças. No museu estão expostos fósseis e réplicas de espécies pré-históricas encontradas no Maranhão, como do Spinosaururs, o maior dinossauro carnívoro já registrado no Brasil cujo fóssil foi encontrado em terras maranhenses. Além do Titanossauro e Carcharodontosaurus. Também há réplicas de peixes do gênero Cretáceo do Maranhão e crocodilos Candidodon, bem como peças arqueológicas de povos antigos e indígenas.

11 – Uma curiosidade se refere a uma descoberta no casarão da esquina da Rua do Giz com a Escadaria Humberto de Campos, do lado esquerdo do Centro de Pesquisa. Ali foi encontrado um poço pelo engenheiro Luiz Phelipe Andrès, um dos principais responsáveis pela reabilitação do Centro histórico de São Luís. O poço havia sido fechado por muito tempo. Durante a restauração do prédio, foi redescoberto. O poço na verdade atendia também o prédio vizinho, em um nível diferente, com abertura para uma área livre. Já abertura do referido casarão era interno. A engenhosa construção portuguesa fazia com que mesmo no escuro, a água do poço ganhasse tons azuis refletindo a luz do céu pela outra abertura, especialmente em horários de sol a pino. Infelizmente o prédio está interditado.

Fachada de La Pizzeria

12 – No canto oposto ao do Centro de Pesquisa está a Praça da Faustina. Há muita movimentação neste logradouro durante as sextas-feiras. Este é o ponto de encontro de grupos de tambor de crioula, que se apresentam gratuitamente. E se quiser poderá entrar na roda também. A rua estreita logo depois da praça é o reduto do samba. Vários grupos se alternam durante as noites. Não vamos entrar nela. Seguiremos subindo a ladeira da Rua do Giz. Desse ponto já dá para ter uma bela vista dos casarões. Este trecho da rua também serviu de cenário para a novela Lado a lado, com Camila Pitanga e Lázaro Ramos.

13 – Nesse conjunto de casarões bastante preservados está uma loja de artesanato e produtos locais. Depois a La Pizzeria, um espaço muito visitado por universitários e por turistas. A pizza é boa, mas se estiver cheio pode demorar um pouco. O ambiente é bem legal. A pizzaria integra o Hotel Portas da Amazônia, ao lado.

14 – Segue o conjunto, o casarão da Aliança Francesa. Doado pelo Governo do Estado para Consulado da França no Maranhão, o prédio foi reformado abriga um grande centro de cultura franco-maranhense.

15 – Subindo a ladeira do Giz, estão ainda restaurantes e lojinhas. No topo da ladeira vamos encontrar a Praça Valdelino Cécio.

Nota: Se não tiver muito tempo para ficar em São Luís, poderá visitar na quadra seguinte, da Rua do Giz, dois importantes casarões, o do Centro de Cultura Popular e o do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), um dos pontos mais altos da região. Esses dois casarões fazem parte do Roteiro Desterro.

Teatro João do Vale / Foto: Biné Morais

16 – Descendo a escadaria que fica ao fundo da Praça Valdelino Cécio, encontraremos a Praça Nauro Machado, palco de apresentações culturais durante as festas populares. A parede que fica apegada a escadaria faz parte do Teatro João do Vale.

17 – Indo para a Rua da Estrela, virando à esquerda, você encontrará a fachada do Teatro João do Vale, que antes de ser casa de espetáculos era um grande armazém. O prédio usa a técnica de pastiche, que imita a arquitetura colonial. Em frente está o prédio da Câmara Municipal de São Luís.

18 – Nosso passeio está chegando ao fim. Voltando a Rua da Estrela, vire à esquerda, no canto do jardim da Câmara dos Vereadores. Ali está o outro lado da Feira da Praia Grande. Nesta rua há uma feirinha de artesanato e de barraquinhas com venda de lanches, doces e comidas típicas. Já no final dela, ao lado de direito está o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. Conjunto edificado em 1900, formado por quatro galpões, duas casas térreas e um sobrado de dois pavimentos. Antes funcionava apenas como armazém e comércio. Atualmente funciona um teatro, uma biblioteca, salas de exposições, auditórios, sala de dança e um cinema de arte, muito popular entre os universitários.

19 – PONTO FINAL – Para encerrar o passeio, há opção de saborear o Cachorro-quente do Sousa, do outro lado do estacionamento. Muitas vezes cheio, com longas filas de espera. Se estiver com muita fome, recomendo que procure outro lugar. Mas se quiser saborear o lanche, vale a pena esperar. Há uma famosa rede de sanduíches mais a frente, ao lado do Viva Cidadão. E também a opção de voltar para o Largo do Comércio (Rua da Estrela). Para ir embora, pode tomar um táxi em frente ao Centro de Criatividade ou ao lado do Viva Cidadão, ou pegar ônibus no Terminal de Integração.

Se gostou deste roteiro, veja os outros que o PasseioUrbano preparou e recomende a outras pessoas. Lembre-se que a sugestão de percorrê-lo em um turno valerá se não se prender muito tempo nos lugares. Nos museus vale a pena ficar 30 minutos ou um pouco mais. Mas nos outros uma pausa para as fotos e olhar os detalhes não levará mais do que 10 minutos. A maior parte dos museus de São Luís são gratuitos. Se se cobram taxas, estas são de R$ 2,00, em média. Bom passeio!

Roteiros pelo Centro Histórico

Roteiro 1 | Cidade Alta
Roteiro 2 | Praia Grande
Roteiro 3 | Desterro
Roteiro 4 | Deodoro

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